• Patrícia Maurício - 2012

    by Vanessa Santos | jan 28, 2015

    A aventura começou a 24 de julho e terminou a 28 de agosto de 2012! Rumei em direcção a São Vicente sozinha, ansiosa daquilo que ia encontrar, mas com a certeza de que a minha estadia lá iria ser útil e inesquecível. Sabia que à minha espera, no aeroporto, estaria uma cara conhecida que me acolheria durante um mês.

    Após 4 horas de viagem, e algum tempo de espera pela bagagem de porão, sai do aeroporto “Cesária Evora” e entrei na carrinha da Escola Salesiana Artes e Ofícios de São Vicente. O meu guia local ia-me indicando alguns pontos turísticos (ou não!), mas eu ainda estava a planar sobre a ilha! O meu coração ainda não acreditava que estava em Cabo Verde… que ia participar numa acção de voluntariado em pleno Atlântico! Foi a viagem de automóvel mais estranha da minha vida! O calor sufocante, a humidade que obrigava a minha roupa a colar-se ao meu corpo, a língua estranha que se ouvia na rádio… tudo era novidade e muito desconhecido!

    Posso dizer-vos que a primeira noite passada em São Vicente foi surreal! Sozinha num quarto desconhecido, numa casa desconhecida, com pessoas desconhecidas, um calor igual ao que se fazia sentir durante o dia…

    Toda esta estranheza foi-se atenuando com a simplicidade das pessoas, a sua simpatia, com a sua morabeza (amabilidade).

    As actividades de tempos livres na Escola de Verão, com o tema Criar Laços, foram muito enriquecedoras e fatigantes! A hora de levantar era sempre às 6h30, as actividades de tempos livres começavam às 8h30 e só terminavam por volta das 18h30; de seguida ainda tínhamos reunião de animadores para organizar as actividades seguintes; a hora de deitar era sempre por volta das 00h30.

    Durante o dia, os animantes participavam em Boscoshop’s (teatro, dança tradicional e zumba, informática, fotografia, capoeira, ginástica rítmica…), jogos de equipa, passeios até à praia, e tivemos um mega acampamento na ilha de Santo Antão.

    Quando partimos para a aventura vamos sempre com a sensação de que vamos dar mais do que receber! Eu regressei com a bagagem cheia… cheia de recordações, de amigos, de muita vontade de voltar e estar naqueles locais maravilhosos, rever aquelas pessoas, aqueles miúdos que me encantavam diariamente…

    Não me despedi com a sensação de adeus, mas sim com a certeza de um até já!

  • Patrícia Ramalho - 2012

    by Vanessa Santos | jan 28, 2015

    Iniciei o meu processo de voluntariado aos 14 anos, na terra onde vivo. Participava pontualmente em eventos sociais e juvenis e gostava da sensação de me sentir necessária para levar a cabo um acontecimento na minha pequena aldeia, o que era coisa rara. Fiquei desde cedo, com esse bichinho do voluntariado, sem saber o que era, nem porque o fazia. Levei as minhas tarefas por diante e aos 16 anos assinei um contrato de responsabilidade com a minha terra, num palco improvisado de uma pequena praça, assinado à frente de todas as pessoas que conhecia. Nesse momento, fiquei com um pouco de receio e ansiedade. Tinha medo de não conseguir cumprir, mas gostei das luzes e das palmas. Depois gostei de conhecer pessoas e de elas me cumprimentarem com respeito e admiração e continuei. Alimentei a ideia de que eu era uma “ótima pessoa”, que pensava mais nos outros do que em mim, que não limpava a minha casa, para ir limpar a escola da comunidade. Mas eis que a semana passada, numa conferência, tive a oportunidade de ouvir, o Secretário-Geral da Cáritas Espanhola, Sebastián Mora Rosado, que colabora em vários cursos e conferências em fóruns nacionais e internacionais relacionados com o terceiro setor e as entidades de caráter não lucrativo, autor de vários livros e artigos sobre a temática do voluntariado. Sebastián após iniciar as primeiras palavras sobre voluntariado, refere que este é um processo individualista e que pode ser egocêntrico. Então a minha teoria de que eu poderia ser “uma ótima pessoa” caiu por terra. Afinal, eu não passava de uma egoísta. Olhei em volta, com receio de que alguém reparasse em mim e lembrei-me automaticamente da minha experiência de voluntariado na Escola Salesiana de Cabo Verde. Questionei-me e pensei “Eu fui, porque queria ir passear, conhecer outro país, ir à praia”, eu afinal sou uma individualista sem escrúpulos, que foi para se divertir”. Então, por essa altura, na plateia, alguém terá pensado o mesmo que eu e perguntou: “Poderá desenvolver e explicar um pouco essa ideia de o voluntário ser um individualista”. E Sebastián respondeu, mais ou menos assim “Eu iniciei o voluntariado por causa da Cristina, ela era tão bonita, que eu queria estar perto dela, se ela plantasse flores, eu teria ido plantar, como ela fazia voluntariado, eu fui para o grupo também. Há anos que não sei da Cristina, e eu continuei. Não interessa porque comecei, interessa porque continuei, o que me motivou inicialmente foi um motivo intrínseco, que só dizia respeito a mim mesmo, nada tinha a ver com ajudar ou ser solidário, mas estou lá ainda, porque aprendi o que é o voluntariado e apaixonei-me por ele”.

     Respirei fundo, e lembrei-me que apesar de ter dado alguns mergulhos, eu fui, para entre tantas e tantas aprendizagens e trocas, conhecer um menino chamado Luís, ao qual eu e o meu grupo colocamos de alcunha “caveira” por causa dos seus ténis engraçados com um desenho de caveira. Fui para fazer uma caminhada com ele de muitos quilómetros (literalmente) debaixo de sol ardente, para irmos dar um mergulho ao tanque, onde ele ia descalço, sem queimar os pés e me contou que é normal percorrer grandes distâncias a pé, para por exemplo, ir à mercearia, comprar bananas para a avó. Íamos os dois e o Leandro, um menino bem pequenino de 8 anos, que tinha algum receio daquela caminhada e não largou a minha mão, que me disse que tinha saudades dos pais e dos irmãos, porque estávamos a acampar noutra ilha. Já tinha contado os dias, dizia ele. Então eu aproveitei para dizer que eu também tinha saudades da minha família, mas que já não tinha mãe e expliquei a eles, meus companheiros de viagem, como ela morreu, como nunca o fiz com mais ninguém. Falamos de programas de televisão e de futuro. O “caveira” quer ser médico dentista ou aviador, mas também gosta de biologia, contudo acha que vai ganhar mais dinheiro com a medicina. Vê muitos desenhos animados porque a mãe é cozinheira e fica algum tempo sozinho. Eu disse que também ficava muito tempo sozinha e gostava de ver telenovelas brasileiras. Explicou-me o que se pode fazer com a cana-de-açúcar que apanhamos pelo caminho. E eu falei nuns doces portugueses muito apetitosos. O “Caveira” começou a incentivar o Leandro a mergulhar no tanque, que tinha algum receio. Estávamos quase a chegar. Conseguimos convencer o Leandro a ir a banhos, pediram-me para guardar a roupa e os sapatos. E eles mergulharam no tanque com os olhos em mim, e gritavam “Patrícia, olha, olha”.

  • Janete e Joana Massuça - 2011

    by Vanessa Santos | jan 28, 2015

    Fazer voluntariado é estar disponível para uma entrega e disponibilidade para com os outros. Senti necessidade de ajudar quem mais necessitava no momento que tinha férias, férias para descansar mas sem nada de produtivo para fazer. Senti que mais umas férias a olhar o mar não seriam para mim o melhor, pois o tempo seria perdido e poderia dar mais a quem precisa de Mais e Mais e Mais...

    Parti para missão em Cabo Verde, para a Escola Salesiana de Artes e Ofícios de São Vicente. Uma ilha árida, onde raramente chove e escassa a vegetação. Mas onde impera a partilha, entreajuda, amizade, solidariedade entre todos os habitantes.

    Eu própria me senti em casa. E em família. Ser recebida de braços e coração abertos pela comunidade Salesiana de Cabo Verde, fez-me sentir que regressava a um lar conhecido e isso deixou-me tão segura e feliz! Obrigada a todos os que passaram estes bons momentos comigo!

    A Escola de Verão começava e com ela duzentos alunos inscritos para se divertirem, passar bons momentos, aprenderem a ser Bons Cristãos e Honestos cidadãos. D.Bosco sempre presente nas orações e nas atitudes de cada um de nós, ajudou-nos a superar algumas dificuldades.

    “Bom dia Sênhora”, dava-me força para mais um dia de trabalho.

    Passou tão depressa aquele mês, pois a amizade e o carinho aumentava cada dia mais e o fim aproximava-se.

    Na hora da despedida, muitas lágrimas mesmo muitas, será que nos voltamos a ver?

    Trocámos moradas e-mails, etc...

    Partilhámos muitos desabafos e superámos juntos muitas aventuras no divertido jogo do MEGA-PLAY.

    Fica a recordação. Dei muito, mas recebi muito mais. Foi uma das experiências mais marcantes e positivas que realizei até hoje.

    Não gosto das despedidas, deixo apenas um até já...

    Quero repetir, quero ajudar, quero aprender, quero dar, quero receber, quero estar com quem mais precisa de mim.

    Janete Massuça

    Quando a minha mãe, surgiu com a ideia de fazer voluntariado fiquei um pouco apreensiva.

    Para onde vamos? Não vou ter férias?

    Cheguei a pensar que ia ser tempo perdido, e que mais valia ficar cá em Évora, pois cá ia ser muito mais divertido.

    Faltavam dois dias, e eu continuava a pensar que ia odiar aquilo tudo.

    Dois dias depois estava a entrar num avião da TAP, e eu ainda pensava o mesmo, 3:30h depois mudei completamente sobre o que pensava que seriam as minhas férias!!

    Quando sai do aeroporto de São Pedro em Mindelo, Cabo Verde, amei o que vivi eles todos a irem nas caixas das carrinhas de caixa aberta, todos contentes e amigos uns dos outros.

    Eu própria fui na caixa da carrinha do Padre Jorge.

    Era um mundo com um povo totalmente diferente.

    Enquanto estávamos a fazer uma pequena visita á cidade de Mindelo, as pessoas acenavam-nos muito sorridentes...

    Quando começou os Tempos Livres, é que foi mesmo ver e saber como é que aquelas crianças mais novas ou mais velhas que eu ou até da minha idade viviam e passavam os seus dias.

    Eram rapazes e raparigas muito humildes e amigas/os, como dos seus amigos ou pessoas que estavam a ver pela primeira vez na sua vida.

    Marcou-me muito ver que eles davam-me o pouco que tinham, para ficar com uma recordação deles...

    Lá fiz muitos amigos e amigas, mas não daqueles que dizem que são amigos ou amigas por dizer, são aqueles que quando precisamos estão ao nosso lado, mas também nós ao lado deles.

    Nunca me vou esquecer daqueles rapazes e raparigas espectaculares que conheci pois passado três meses, ainda se lembram de mim e me telefonam.

    Adorei a experiência e espero repeti-la.

  • Joana Ressurreição - 2010

    by Vanessa Santos | jan 28, 2015

    O meu desejo de voltar a Cabo Verde já vinha de trás. Já lá tinha estado e tinha ficado apaixonada pelas gentes, pela hospitalidade daqueles que pouco têm, mas que fazem questão de partilhar tudo! Daí ter escolhido este destino, para fazer do meu verão, um verão diferente, descentralizado dos meus afazeres, da minha família e dos meus amigos. Parti.

    Éramos cinco voluntários portugueses: Diogo, Filipa, Joana, Marta e Sara, prontos a dar tudo o que tínhamos em prol da Escola de Verão, que nos esperava. Durante estes dias a nossa tarefa era estar com as crianças, com idades compreendidas entre os 9 e os 17 anos, fazê-las procurar e encontrar o Essencial, proporcionar-lhes um verão divertido, com muita alegria, música, teatro, praia, actividades diferentes, ateliers... e sempre com o coração virado para Deus. Não nos esqueçamos que o dia começava com o 'Bom Dia!', onde assistiam a um teatro de um excerto d' 'O Principezinho', o fio condutor da escola de Verão 2010, seguido de oração. Havia sempre uma mensagem a transmitir com cada teatro e a nossa função também era fazer com que eles a assimilassem. Durante o dia, íamos até à Laginha, ou ficámos pela Escola Salesiana, a promover diferentes actividades lúdicas, como jogos tradicionais, ateliers, entre eles teatro, música, rádio e jornalismo, dança, artes plásticas...

    Depois de ter assimilado e apreendido todos os momentos que vivemos, posso dizer que foi, sem dúvida, uma das experiências mais marcantes que vivi até agora. Fizemos amigos, deixámos o nosso testemunho, (re)aprendemos que somos muito privilegiados, que temos tudo o que necessitamos. Soa a 'cliché', mas recebi muito mais do que dei.

    Um povo apaixonante, com muito para dar, sem querer nada em troca. É assim que resumo Cabo Verde. O meu coração continua lá. E vai ser difícil fazer com que ele regresse.

    Até qualquer dia!

  • Diogo Seixas - 2010

    by Vanessa Santos | jan 28, 2015

    Como seres humanos somos a soma das nossas experiências, constituídos pelos sentimentos e emoções que preenchem as nossas odisseias. Independentemente das perspectivas adquiridas, elas constroem-nos e fazem de nós mais humanos.

    É no serviço aos outros que se encontram as mais frutíferas perspectivas de realização pessoal, e imbuídos de um espírito solidário e de entrega ao próximo partimos rumo a São Vicente, uma magnífica ilha em Cabo Verde.

    Quatro voluntários partiram, esperando aproveitar o mês de Agosto da melhor maneira possível. Fomo-nos conhecendo aos poucos, devagar, mas em cada um espreitava uma humanidade absolutamente fantástica. No aeroporto, no avião, e nas cinco horas de escala, conversou-se, riu-se e cresceu-se.

    Filipa, Joana, Sara, Marta e Diogo, são estes os nossos nomes, levámos no coração um espírito que se poderia afirmar com toda a certeza salesiano, um espírito de serviço.

    Ao chegar à ilha, encontrámo-nos com o Padre Jorge Bento, amável, e extremamente receptivo, as boas-vindas não podiam ter sido dadas de melhor maneira.

    Na relutância do nosso olhar, desenrolavam-se estradas, caminhos, mar, e finalmente uma escola, e enquanto o frenesim do conhecimento ainda saltava nos nossos corações, nas primeiras horas percebemos que iria ser um mês maravilhoso.

    A comunidade salesiana apresentou-se como uma segunda casa, uma família para o mês de Verão, o Padre Belmiro Silva, o Padre Gonçalo Carlos, o Senhor Pedro Andrade e mais tarde o Senhor Alfredo Moreira, todos eles nos contagiavam com o seu olhar, com o seu carinho e com a sua espiritualidade.

    Depois, os animadores da Escola de Verão, o calor humano e a diversidade apenas fomentou algo absolutamente fantástico, uma união que iria perdurar durante um mês inteiro e, com toda a certeza, durante muitos anos.

    Yannick, Kevin, Inês, Manuel, e tantos mais, marcaram-nos pela sua simplicidade, jovens “alegres na esperança”.

    Quando começou a Escola de Verão, era chegada a altura de aplicar toda uma expectativa, um sonho. Comunicar, construir, transmitir valores, mas também o mais simples, carinho e compaixão. Foi essa a nossa tarefa e com a maior honra procurámos cumpri-la.

    Assim foi passando o tempo, também nos despedimos e chorámos. Mais tarde recebemos 14 escuteiros de Vagos, a palavra obrigado talvez não seja suficiente para quantificar o nosso mais profundo agradecimento pelo seu trabalho e ajuda.

    Depois, veio a Eunice e a Cláudia, não existem palavras para descrever a beleza interior que desenrolava perante nós, e são tão poucas as oportunidades para conhecer pessoas que nos preencham de maneira tão completa.

    Com uma semana em Santo Antão, realizando-se um acantonamento que merece ser referenciado pela sua originalidade, animação e convívio constante, rumámos à última semana, e nos compassos em que a saudade apertava, mesmo antes da despedida, o nosso coração saía preenchido, encontrava-se mais rico e nós com expectativas atingidas ao mais alto nível.

    Quando regressámos ao aeroporto para o adeus, as lágrimas espelhavam contentamento, alegria e o mais profundo desejo de voltar.

     Até Sempre e Bem-Hajam!!

  • Cláudia Fernandes - 2008

    by Vanessa Santos | jan 28, 2015

    Este ano parti para Cabo Verde...eu e mais quatro voluntários, duas leigas e dois salesianos.

    As minhas expectativas eram um pouco diferentes das dos outros anos, pois desta vez não ia sozinha e Cabo Verde parecia-me muito diferente de Moçambique! Mas se por um lado me invadia o como seria?, por outro acordava em mim uma enorme vontade de me dedicar àqueles jovens que nos esperavam para um mês  de encontros e partilhas.

    Começámos a nossa Escola Verão cheios de ânimo e crentes da presença de Dom Bosco nos nossos corações. Éramos cerca de vinte animadores e cento e trinta animandos! Num trabalho conjunto conseguimos preparar e realizar várias actividades para os nossos jovens.

    Era emocionante ver os seus sorrisos  de alegria e a sua boa disposição durante todo o tempo que passávamos juntos! O saber que aos fins de semana ficavam tristes porque não havia Escola de Verão, foi algo que me comoveu. Mas o tempo passa e a hora de regressarmos estava cada vez mais próxima... e a despedida, que aconteceu na grande festa dos pais, foi indescritível  de sentimentos. Entre animadores e animandos preparámos a festa para os pais, familiares e amigos. Um encontro cheio de animação e brilho que terminou com um lanche partilhado.

    Por tudo o que vivemos juntos, a todos os que fizeram parte desta aventura, um grande obrigada por todo o carinho, simplicidade e amor com que nos receberam. Agradeço, também, à comunidade Salesiana da Escola de S. Vivente que, com tanto carinho nos recebeu e a todos os que contribuíram para o sucesso da Escola de Verão. Um obrigada muito especial ao Padre Jorge Bento pela sua dedicação a esta missão e a todos nós, pois se esta foi uma viagem fantástica, foi pela sua entrega e disponibilidade. Ao Luís Almeida pela sua grande amizade.

     Que Deus continue a imperar esta vontade nos nossos corações e nos ajude a arriscar e a sermos testemunhos do seu amor.

  • Mariana Nabais - 2008

    by Vanessa Santos | jan 28, 2015

    Foi no dia 1 de Agosto de 2008 que parti para a aventura mais profunda e desafiante da minha vida: ir em missão para Cabo Verde. A expectativa era enorme, a responsabilidade imensa! Levava comigo as palavras que me tinham sido dedicadas na “Missa de Envio” na minha Paróquia: Missão; Voluntário; Amor; Compromisso; Palavra; Profeta; Portador do Amor de Deus.

    A viagem, bem longa, convidava à reflexão: será que ia estar à altura da confiança que depositavam em mim?

    Hoje, num qualquer dia de Setembro, posso dizer que sim.

    Muitas ideias terão ficado por realizar… um mês foi pouco tempo para concretizar tudo o que levava na mente e no espírito, mas o tempo real nunca corresponde ao tempo ideal, porque esse se reporta ao sonho, e o primeiro à realidade. E esta experiência misturou o sonho com a realidade. O sonho de poder ser útil e capaz de levar àquelas crianças, que durante aquele período me foram confiadas, a esperança da felicidade que vem na Palavra de Deus e testemunhá-la com alegria num dia-a-dia partilhado.

    Actividades várias, como jogos, ateliers, idas à praia, dança e muita música a embalar uma experiência inesquecível!

    Os dias começavam bem cedo: pelas 7h30 com a Eucaristia e às 9h com o início das actividades. A alegria era constante. As vozes das crianças, entre o crioulo e o português, enchiam todos os cantos. O riso também nos ia trazendo a certeza do seu agrado a cada momento do dia.

    A pobreza dos locais, a frieza das paisagens contrastava com o brilho do olhar daquelas crianças. Se é verdade que os olhos são o espelho da alma, então fico feliz porque conseguimos “pintar” de cor aquele lugar.

    À sexta-feira, porque o fim-de-semana se avizinhava, via-os tristes e já saudosos…mas na segunda-feira o entusiasmo não cabia na Escola Salesiana de S. Vicente.

    Dia 28 de Agosto de 2008 – dia da despedida. Um mês pleno de sentido chegara ao fim.

    Dar sem esperar receber era a minha atitude à partida, mas regressei com a alma cheia da profundidade deste trabalho. 

    A presença de dificuldades não me esmoreceu, antes reforçou a aposta que levei comigo: “somente a vida que se dá, se possui para sempre”.

    O elo de Deus na minha vida foi o fio condutor que me acompanhou do princípio ao fim. Foi nele que encontrei a força que me levou e me trouxe de volta, segura de que repetirei esta caminhada, ali ou em qualquer outra parte do mundo onde possa levar a alegria de uma Mensagem de Amor.

  • Claudine Pinheiro - 2009

    by Vanessa Santos | jan 28, 2015

    Partir com o intuito de partilhar. Partir com expectativas e medos. Partir sabendo que se regressará diferente.

    Eram estes os sentimentos que me iam assaltando a mente nos dias que antecederam a partida para Cabo Verde. Já tinha ouvido relatos de experiências anteriores, de amigos que já tinham dedicado o seu tempo de férias na animação pastoral da presença salesiana em S. Vicente. Mas há sempre aquele receio de não correspondermos às expectativas de quem nos recebe, de não nos integrarmos, de não sabermos até que ponto estamos à altura da missão. Medos que, de forma quase inconsciente, nos prendem e limitam. Mas se o caminho se faz caminhando, as partidas fazem-se soltando amarras.

    Um dia inteiro de viagem, com escalas e ‘check-ins’, malas partidas e…muito calor!

    Finalmente cheguei… o ar quente e abafado sintoniza-nos logo noutro ritmo de vida. A pressa e a agitação do meu dia a dia iam-se com as (muitas) gotas de suor. E abrandar dá-nos a oportunidade de reflectir, de fazer o “reboot à máquina” e tirar algumas conclusões. São essas conclusões que gostaria de partilhar contigo. Não vou resumir o que fiz e não fiz ao longo de 3 semanas, mas antes pôr em comum o que este tempo trouxe de novo à minha vida:

    - Perceber que os esquemas pastorais que cremos ser 100% correctos podem de facto ser falíveis;

    - Saborear a capacidade de as crianças nos acolherem e a doçura com que interagem. Não é preciso muito para brincar, apenas vontade de estar junto;

    - Admirar o jeito natural com muitos animadores acolhem e cuidam das crianças. De facto D. Bosco não errava quando dizia que a Educação é coisa de coração;

    - Tomar consciência do que é ser minoria, seja pela cor da pele seja pela incapacidade de comunicar e estabelecer pontes com quem nos escuta.

    A partida é sem dúvida um acto de soltar amarras. Partir é no fundo “partir-se”, é “afastar-se” de uma série de certezas para voltar a “construir-se” e saborear o dom da vida!