• Maria Figueiredo - Missão Boa Esperança

    by Vanessa Santos | jan 28, 2015

    Desde que cheguei os dias vão passando mas sinto que grande parte de mim parou e ficou em Cabo Verde. Esta missão foi a melhor e mais forte experiência da minha vida, e sinto que foi um começo de uma vida diferente, de uma vida com Verões não desperdiçados, como amigos meus lhe chamaram, mas com Verões ganhos por experiências espetaculares e inesquecíveis.

    A Missão Boa Esperança fez-me conhecer uma nova realidade, que eu desconhecia totalmente, e que foi complicada de enfrentar à primeira vista. Só o diferente cheiro, as casas por acabar e as pessoas a estranharem a nossa presença fizeram-me recuar, e pensar duas vezes se deveria estar ali, se teria capacidade e maturidade para ficar 20 dias com aquelas pessoas e com aquela paisagem. 20 dias depois chorei por me vir embora, queria ficar lá mais tempo, queria ficar mais tempo com aquelas pessoas espetaculares e naqueles sítios que afinal não eram assim tao maus.

    Em Cabo Verde aprendi e dei muito mas recebi ainda mais. Percebi que sou capaz de viver sem muitos luxos com que estou tão habituada, e que sou capaz de me adaptar a viver com uma nova "família".

    No Bairro da Boa Esperança, no centro educativo, a nossa casa durante 20 dias, não havia agua quente, nem sempre havia luz para cozinhar, tomar banho, jantar ou carregar os telemóveis, nem sempre havia água e por isso até fiquei uma vez a meio do banho, não havia uma ementa variada com estou acostumada, não havia água potável o que fazia com que tivesse medo de engolir água no banho, a água para lavar a loiça era com gordura dos pratos anteriores porque tinha de se poupar, não havia maneira da roupa ficar totalmente limpa, tinha baratas e teve um rato no nosso quarto, mas nada disto interessava, nada disto fez com que a nossa missão corresse pior. Quando descíamos as escadas, chegávamos à rua e sentíamos uma criança a correr para o nosso colo, tudo isto estava compensado. Bastava um sorriso, um "não quero que te vás embora", um abraço mal dado porque nem isso sabiam, um "obrigado", um grito na rua nem eu sabia de onde: "Mariaaa", para eu não querer que a missão acabasse, para eu me sentir em casa.

    As 14 pessoas com quem vivi ajudaram muito a tudo isto e tornaram-se, sem dúvida, família.

    Foi realmente uma viagem espetacular onde percebi que existem pessoas que nem uma simples casa de banho têm e são muito mais felizes do que nós. Percebi que não precisamos de nada material para sermos felizes. 

    Realmente ajudar não custa nada, e voltamos a sentir que nós é que fomos ajudados e que nos é que aprendemos. Já tenho saudades, saudades das crianças, saudades da tão especial "Palavra", uma criança que nunca mais me vou esquecer, saudades das amigas mais velhas que criamos, saudades de tudo! E muitas saudades da Irmã Paula, um exemplo espetacular de uma senhora que eu espero, um dia, ser um bocadinho que seja do que ela é.

    Esta missão mudou-me muito e parte de mim ficou realmente lá.

    Espero continuar com a Fundação Dom Bosco mais anos, com ela sentir que estamos a representar Dom Bosco e a tentar ser um bocadinho daquilo que ele foi e que pediu para sermos.

  • Pedro Roque - Missão Boa Esperança

    by Vanessa Santos | jan 28, 2015

    Aqui vai uma gota do que sinto…

    04 de Agosto de 2013… 24 de Agosto de 2013… Datas que ficarão marcadas na minha vida para sempre. O meu coração estará sempre tatuado com estas datas.

    Foi sem dúvida a experiência da minha vida de 28 anos.

    Senti a simplicidade do que é a vida, a facilidade do que é amar sem pedir nada em troca, a vantagem de se ter pouco para se poder dar valor a esse (imenso) pouco.

    Pude perceber que a vida sem a presença da fé em Deus, seu filho Jesus e a devoção a D. Bosco não me fará mais sentido pois, na presença da oração, partilha, eucaristia e amor a Cristo encontrei a paz e a fonte para explicar muito do que se passa no nosso dia-a-dia.

    Cabo Verde foi para mim uma terra que me acolheu durante 20 dias de alguma privação, pouco descanso, trabalho diário esgotante mas, foi lá no bairro da Boa Esperança na ilha da Boa Vista que me senti mais útil, mais reconhecido, mais necessário e mais amado do que em qualquer outro local por onde já tenha passado. Não há valor possível ou palavras que expliquem o sorriso de cada criança, o abraço de cada pequenino e as lágrimas de cada um que nos viu partir. A Saudade é muito pois, em terra Africana fomos felizes com pouco, ou com muito? Tivemos tudo o que é necessário para poder dar valor ao dom da Vida, ao auxílio e partilha com o próximo.

    Aprendemos a amar o nosso irmão que partilhava tudo connosco, vivemos em família durante 20 dias com pessoas que mal conhecíamos e hoje quero saber delas todos os dias.

    Fizemos, graças à Fundação Dom Bosco, um trabalho lindo e memorável junto de crianças, jovens e adultos de quem hoje sentimos falta e decerto que também eles sentem muita falta do grupo de D. Bosco.

    Garanto-vos que, São João Bosco esteve connosco, bem presente em cada palavra e gesto que tivemos naquele bairro, com aquela comunidade. Foi brilhante e repleto de sensações e emoções fortes, pensamentos e preconceitos foram quebrados de forma abrupta e definitiva para que hoje nos sintamos melhores e mias aptos ainda a ajudar o próximo.

    Amámos aquele Bairro e o Bairro apaixonou-se por nós e pela nossa obra! Pena que nada do que escreva sirva para espelhar nem metade do que foi vivido e sentido. Quando temos muito para dizer por vezes falta-nos as palavras, a mim falta-me sempre quando me perguntam por Cabo verde. Metade de mim ficou lá de certeza…

    Quero voltar! Não faz sentido não voltar! Trabalhámos muito mas há tanto mais a fazer por aquelas pessoas, tanto mais a ensinar e a evangelizar.

    Fomos privilegiados, somos uns privilegiados pois os nossos corações são só amor, experiência, oração, canto, família, união e muita saudade que espero poder saciar em breve…

    Obrigado por hoje saber que sou um ser melhor, graças a vós e à vossa obra. Até já Bairro da Boa Esperança…

  • Diogo Pinto - Missão Boa Esperança

    by Vanessa Santos | jan 28, 2015

    Duas foram as missões em que estive por terras de Cabo Verde, daí que seja complicado transpor em tão poucas palavras aquilo que vivi ao longo de um mês e uma semana.

    A primeira etapa consistiu em colaborar na Escola de Verão 2013 na Escola Salesiana de Artes e Ofícios, na ilha de S. Vicente. Ao longo de três semanas o objetivo era animar as crianças e jovens, dos 7 aos 17 anos, que estavam inscritas nesta atividade. Ser animador significa ter alma, vida, que é alguém animado, corajoso, esperançado, que possui animação e esta revela-se pela sua vivacidade e entusiasmo e deve se transmitir este estado de alma às crianças e jovens que nos rodeiam, para assim elas “ganharem” vida. No fundo, era assim que D. Bosco funcionava, pois o seu trabalho tinha por objetivo a salvação das almas dos seus jovens. Ali em S. Vicente foram momentos que não vão sair da minha memória, as crianças e jovens, os animadores locais, as famílias dos participantes, a comunidade Salesiana e, por fim, o Pe. Jorge Bento, que com ele aprendi o que é ter espirito missionário e de serviço à juventude mais carenciada, não só de bens materiais, mas também de bens espirituais.

    Já quando passei para a ilha da Boa Vista para me juntar ao grupo que estava na Missão Boa Esperança, pude constatar uma realidade diferente, mas no fundo tinha o mesmo objetivo que a missão anterior, isto é, estar com as crianças e jovens e poder-lhes proporcionar um verão diferente organizando um campo de férias. Porém, a realidade das crianças deste local era bem diferente, pois as condições em que vivem são bem mais difíceis. Sem água canalizada, luz e com casas a que chamam “barracas” estas crianças vivem esperançadas com um futuro melhor que, em muitos casos, não se torna melhor por falta de oportunidades para poderem melhorar as suas vidas. Aqui vivi durante duas semanas de campo de férias com crianças entre os 3 e 6 anos, designado o grupo dos “Pequenotes”. Ao início eram cerca de 30, depois 40, mais tarde 50, até atingirem o número de 63 elementos.

    Os dias iam passando e as coisas corriam cada vez melhor, as idas à praia, as brincadeiras, os trabalhos realizados e as apresentações realizadas. “A arte de amar” foi o tema que fomos trabalhando com eles e de facto, quando se fala de amor, questões linguísticas são ultrapassadas, pois a linguagem do coração vem ao de cima e quando se insere amor no que se faz e para quem se faz consegue-se ultrapassar as barreiras existentes.

    Sei que o tempo foi pouco para desenvolver um trabalho profundo, em ambas as ilhas, para que existisse uma mudança na realidade, porém a semente foi plantada e por lá existem pessoas que podem regar esta semente para que ela floresça e mesmo de longe é possível ajudar a que ela cresça e se torne forte e robusta, basta queremos e não pensar que o nosso trabalho já foi cumprido.

    Mas existe algo que gostaria de deixar aqui, é que não somos precisos apenas nestes lugares mais desfavorecidos. Aqui em Portugal, as pessoas necessitam da nossa ajuda. Não podemos cair no erro de achar que só lá fora é precisam de nós, pois os nossos amigos, os nossos vizinhos, a nossa família, as pessoas da nossa cidade ou aldeia precisam de ajuda. Existem várias formas de se ser voluntários, basta procurar e encontrámos várias maneiras de nos tronarmos úteis. Por isso devemos ser missionários no dia-a-dia, devemos ser no dia-a-dia construtores de comunhão.

    Duas experiências, em duas ilhas diferentes, com um mesmo objetivo: amor e serviço aos jovens. Saudade e vontade de voltar existe, mas agora também há que colocar em prática as coisas que por lá aprendi, porque aprende-se muita coisa, por vezes, aprende-se muito mais do que se transmite aos outros.

    Recorro a três pilares do sistema preventivo de D. Bosco para explicar a forma como se deve encarar o voluntariado missionário:

    Razão, devemos ser racionais e perceber os motivos da nossa ação educativa;

    Religião, sendo voluntariado missionário, Cristo deve estar presente na nossa ação, podemos e devemos levar aos outros a mensagem que Ele está vivo e habita em cada um de nós;

    Amorevolezza ou amabilidade, devemos nos orientar por uma ação em que deve existir amor, devemos amar as coisas que fazemos e as pessoas para quem fazemos, pois “a educação é coisa do coração”.

  • Maria José Barroso - Escola de Verão 2013

    by Vanessa Santos | jan 28, 2015

    Depois da maravilhosa experiência que vivi em Cabo Verde, estou de regresso. Volto com saudade, e com a alegria de saber que foi para lá que parti. Realizei um sonho! Há muito que desejava viver uma experiência de voluntariado internacional. Este ano, através da Fundação D. Bosco – Projeto Vida, vivi esta experiência em Cabo Verde, na Ilha de S. Vicente. 150 crianças e jovens ingressaram o projeto “Escola de Verão 2013”, coordenado pelo Pe. Jorge Bento, da Escola Salesiana de Artes e Ofícios, de S. Vicente.

     Foi maravilhoso conhecer um povo que tem tanto para dar apesar das grandes dificuldades em que vive. Cabo Verde é vida! Lá, as pessoas mais felizes não têm as melhores coisas, mas aproveitam o melhor que têm. Quem realiza este tipo de trabalho aprende que recebe mais do que dá. Rapidamente nos apercebemos de que não vale a pena preocuparmo-nos se temos ou não as melhores condições porque tudo passa a ser natural e a fazer parte do nosso dia-a-dia.

    Quando deixei de olhar ansiosamente para o que me faltava passei a olhar com gentileza para o que tinha e descobri que na verdade há muito mais a agradecer do que a pedir.

    Eu regresso mais rica! Aprender a ver o outro, a lidar com as diferenças, a estar atento à vida e a ser solidário, faz de qualquer um de nós uma pessoa melhor! E as crianças…. cada rosto, cada abraço. “Voltas para o ano?” “Oh! Vem lá! Vem por mim!” Como se podem esquecer estas palavras?!

    De fato somos os herdeiros de D. Bosco, com um imenso património da humanidade - "a juventude pobre e abandonada" que, jamais deixaremos de acompanhar enquanto o mundo for mundo e dentro de nós ecoar a voz: "a ti os confio."

    O programa geral de atividades desta escola de verão contemplou diversos momentos que proporcionaram vivências e experiências inesquecíveis e fizeram de todos os participantes grandes protagonistas desta escola de verão.

    A nossa missão por agora está terminada, mas ainda há muito para fazer….

    Fica “um até já”.

  • Cláudia Maia - Escola de Verão 2013 e Missão Boa Esperança

    by Vanessa Santos | jan 28, 2015

    "Vim ao encontro do outro e com ele aprender a amar e partilhar e assim poder crescer”

    Dia 18 de julho de 2013, 04.30h, saí de casa em direção ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, 1001 pensamentos na minha cabeça. Às 06.00h entrei no avião em direção a Lisboa, segui caminho até à ilha de Santiago. Após 10 horas de espera lá parti em direção à ilha de S. Vicente, cheguei já à noitinha, tempo de descansar para iniciar a grande experiência.

    No dia seguinte começava a preparação para a Escola de Verão, com o tema “DFM e os protagonistas”. A Escola de Verão foi um verdadeiro palco para que todas aquelas crianças e jovens fossem os protagonistas de todas as ações desenvolvidas, conhecendo as diferentes personagens: Domingos Sávio, Francisco Besucco e Miguel Magone.

    Foram dias que nunca vou esquecer, pessoas que ficam para sempre no meu coração, momentos para recordar e voltar a recordar, a saudade já é grande. A simplicidade do povo da ilha de S. Vicente é fantástica, a forma acolhedora de receberem as pessoas marcaram-me profundamente.

    O hino da Escola de Verão diz tudo aquilo que fui sentido ao longo de cada dia “Eu estou aqui/ para estar contigo/ e passar um bom momento / Com Jesus como amigo/ e com malta em movimento/ Vim ao encontro do outro e com ele aprender a amar e partilhar e assim poder crescer”.

    Dia 11 de agosto partimos em direção à ilha da Boa Vista, chegamos ao aeroporto da ilha, e fomos de táxi até ao Bairro da Boa Esperança, ou Bairro da Barraca. À chegada, um pouco cansada, só queria saber o que já se passava naquele bairro. Quando cheguei ouvia-se música por todo o lado, gente por todo o lado e o pensamento era “isto é que é animação”. No mesmo dia, à noite, soube que ia acompanhar um grupo de crianças entre os 3 e 6 anos de idade. No início eram uns 30, chegamos ao fim com uns 63 e foram dias maravilhosos. Era fantástico sair de manhã para o acolhimento, e algumas crianças correrem em direção a mim e me abraçarem, começava logo o dia com uma alegria enorme.

    Os dias eram passados com a ida, na parte da manhã, “à praia di mar” seguido de almoço e na parte da tarde pequenas atividades com os pequeninos. Com o meu grupo, decidimos trabalhar a arte de amar, a importância de amar os outros. Era tão enriquecedor ver que aquelas crianças com o passar dos dias começavam a interiorizar aquilo que lhes tentávamos transmitir. Mas no fundo, o que fica é o nosso exemplo aquilo que lhes fomos mostrando, nós somos o espelho das crianças.

    Naquele bairro não me interessava as baratas que passeavam por todo lado, os ratos que de vez em quando faziam visitas, os mosquitos que por lá passavam, os porcos, os burros ou o muçulmano que nos acordavam de manha, a falta de água ou de eletricidade. Naquele bairro, interessava-me cada elemento do grupo dos “pequenotes”, interessava-me ver a alegria deles com as atividades que faziam.

    E no fundo, não foram eles que aprenderam comigo, eu é que aprendi com eles, aprendi a dar valor a coisas que não dava antes, aprendi a viver com o que há e não estar a pensar “mas se houvesse isto”. Na verdade quem aprendeu a arte de amar fui eu, eu amei cada uma daquelas crianças e senti-me verdadeiramente amada por cada um deles. “Não basta que os jovens sejam amados, é preciso que eles saibam que são amados”, tenho a certeza que aquelas crianças e jovens se sentiram amados. Eu senti-me verdadeiramente amada.

    D. Bosco esteve muito presente, as crianças aprenderam que tem 3 grandes amigos: Jesus, Maria e D. Bosco. Foi seguindo o seu exemplo que desenvolvi todo o trabalho em Cabo Verde.

    Sejamos todos voluntários, não só com aqueles que estão longe, mas, também, com aqueles que estão ao nosso lado.

  • Bernardo Silva - Missão Boa Esperança

    by Vanessa Santos | jan 28, 2015

    Ainda agora estávamos a ganhar o ritmo necessário e… já acabou a missão! É esta a sensação que fica após um mês de voluntariado.

    Olhando para trás vem-me imediatamente um sorriso à cara. Lembro-me logo de alguns momentos em que os sorrisos das crianças eram o motivo necessário para continuar em frente e não parar.

    No início, era tudo novo. A experiência era nova, o local desconhecido e as pessoas eram estrangeiros que nunca tínhamos visto. Tudo era tão diferente daquilo que nos lembramos agora! Na verdade, passado uma semana já olhávamos aquela experiência de uma maneira completamente diferente. As pessoas e os espaços já não nos eram estranhos, tudo era mais pessoal e fazia sentido.

    Os dias eram cansativos mas espetaculares. Cada criança que conseguíamos conquistar para as nossas atividades era mais um sucesso no nosso dia. E quando as víamos alegres e divertidas sabíamos que estávamos a cumprir os objetivos.

    Refletindo agora sobre a experiência vivida percebo que de tudo o que se passou talvez tenhamos sido nós, voluntários, a aprender o mais importante: humildade, alegria e simpatia deste povo que, do pouco que tem, nos disponibilizou tudo e nos recebeu sempre de sorriso na cara!

    Sinto agora que esta missão, no mínimo, cumpriu os objetivos a que se propunha, ao termos mostrado aos jovens e crianças que há uma alternativa na vida e ao termos realçado os seus sentimentos mais genuínos de bondade.

    Para finalizar, penso que será essencial dizer que a experiência de missão é algo que não é possível de descrever oralmente ou por escrito, é algo que é vivido! Assim sendo, espero poder, num futuro próximo, realizar mais algumas missões e enriquecer ainda mais a minha fé com cada uma delas porque, no final, tudo se resume a isto: “Ide, fazei discípulos de todas as nações!” (com muita alegria e um sorriso rasgado!)

  • Margarida Cepeda Lopes - Missão Boa Esperança

    by Vanessa Santos | jan 28, 2015

    Depois de muitos dias a acordar com galos, porcos, burros e o muçulmano a orar as 5 e pouco da manhã, chegou o derradeiro dia. Entre lágrimas e pensamentos nostálgicos lá me fui despedindo dos espaços que compunham o local que durante 20 dias se tornou a minha casa. O facto de viver no meio de baratas, ratos e tudo mais tornou-se habitual. A constante inquietação em relação ao facto de poder acabar a eletricidade ou a água tornou-se parte da rotina. A areia nos pés a toda a hora, o cheio a aterro, a música todas as noites, o crioulo...tudo se tornou natural para nós. O mais importante era dar um pouco de miminhos e liberdade de expressão a quem mal sabe o que isso é. O mais importante era o sorriso envergonhado que aquelas crianças trocavam pelo nosso piscar de olho discreto, um sorriso genuíno que nos fazia esquecer, por momentos, o cansaço, esquecer as saudades de casa, da família dos amigos. No fundo ate ganhei uma segunda família de 14 pessoas que eu não conhecia de lado nenhum e agora, a ideia de não voltar a conviver com eles da mesma forma assusta-me. Nunca me esquecerei de todas as brincadeiras do grupo, de todas as private jokes, das tentativas de dança do funana, das lutas de areia, dos nossos jantares barulhentos (alguns a luz das velas), dos nossos momentos musicais, de oração... Muito obrigada a todos por tomarem conta da "menor". Ami ca esqueci di todos esses dias di Africa. Não me esqueço de todos estes dias de África, de todas as pessoas que encontrei, felizes com o pouco que possuem. Não me esqueço da minha Palavra (Pilar) querida e de todos os meus meninos e cretcheus. Recebi muito mais com esta experiência do que aquilo que dei e foi tudo para além daquilo que eu esperava encontrar. Aprendi a dar mais valor às pessoas e menos às coisas. Aprendi a desenrascar-me com o que há e a não pensar como seria se houvesse mais. Aprendi muito. De volta a Lisboa e depois de matar saudades da minha família e de alguns amigos, ainda não me sinto totalmente confortável na realidade que sempre foi a minha. Demasiada futilidade à minha volta, demasiada preocupação com o supérfluo. Enfim, com o tempo tudo ira voltar ao normal mas por agora ando por aqui a pensar sobre lá. Missão Boa Esperança: cumprida. Não mudámos o mundo mas deixámos uma semente que, se Deus quiser, daqui a uns anos dará frutos. 

  • Madalena Pontes - Missão 1841

    by Vanessa Santos | out 31, 2014

    Quando parti em missão quis entregar-me sobretudo como exemplo de fé. Como voluntária salesiana ia transmitir a mensagem de um Deus de amor e de perdão, através do "método da alegria" de Dom Bosco. Procurei voltar a ver o mundo como “uma criança que dá a mão a Jesus para caminhar com Ele".

    No final senti que dei e que recebi ainda mais. Aprendi muito. Esta experiência alterou em mim perspetivas e conceitos. Fez-me olhar para as coisas de maneira diferente, mudou o significado de “simplicidade" e de "genuíno". Reforçou-me a fé. Encheu-me o coração.

    Na Paroquia de Nossa Senhora da Graça fomos recebidos e fomos acolhidos, sentimos o que é pertença.

    Nos Bairros da Cidade da Praia aprendi que para além do português e do crioulo há um outro tipo de comunicação em que cada sorriso, cada abraço, grito, salto, gesto… têm um valor incalculável. Aprendi que ensinar jogos e músicas aos miúdos e vê-los e ouvi-los contentes é gratificante, mas aprender o que eles nos ensinam alegres é inimaginável.

    Com os 8 missionários aprendi o que é o espírito de grupo: todos tínhamos calor, todos tivemos uma noite ou outra em que dormimos mal, todos chegávamos ao fim do dia cansados, etc., mas cada um de nós fez rir os outros todos com incontáveis piadas e inúmeras situações, cada um de nós teve um abraço quando um dia foi difícil, e cada um de nós dividiu o guardanapo de papel ao meio e deu a outra metade!

    Coisas simples como a chuva, o olhar de uma criança, rezar o Pai Nosso… nunca mais são a mesma coisa, ganham outro significado, ficam maiores, mudam para melhor!

    Como se testemunha o riso da Shakira da Achada Grande Trás quando lhe fazia o "bichinho"? Ou a força com que a Patrícia de Castelão me abraçava? Ou ver dois miúdos abraçados a cantar "passo a passo, grão a grão...", no bairro onde havia mais brigas? Ou a voz e jeito da Suaira de Achada Grande Frente a dizer "segunda tia prreferrida" (e nos chamar "tios prreferridos" a todos)? Ou a gargalhada de nós os 9 quando a carrinha avariou no meio da estrada? Ou o desenho que a Jéssica de S. Francisco me ofereceu?

    Como é que se testemunha o som do "batuque" na música de Acão de Graças? O que é que se sente ao ver a capela de Achada Grande Frente cheia de velas acesas, na Acão de Graças da última Missa lá celebrada connosco?

    Como é que se testemunha o que se sente ao participar com(o) a comunidade nas Festas da Paróquia de Nossa Senhora da Graça - a Procissão, a Eucaristia, o encontro inesperado com pessoas dos bairros onde estivemos, desmontar o recinto no fim…?

    O que são as Orações da Noite em grupo? O que é tomar banho no mar à chuva?

    E a cumplicidade que se sente quando agora nos lembramos com saudades do “ar quente e húmido que vinha do chão” que nos envolveu desde que pisámos o chão de Santiago dia 24 de Julho às 2h da manhã até que nos despedimos dia 21 de Agosto? O calor de Cabo Verde.

    Ir em Missão foram e são encontros com Deus e em Deus.

  • João Gonçalves- Missão 1841

    by Vanessa Santos | out 31, 2014

    Pedem-me que escreva sobre tudo quilo que passei, senti e vivi durante as quatro semanas que estive em Cabo Verde na cidade da Praia, na ilha de Santiago… Não é fácil, nada fácil! Uma coisa é certa, por mais que possa escrever e descrever, vai parecer sempre insuficiente porque não se transmite por palavras, fotografias ou vídeos, é algo que só compreende quem passa por lá, quem se entrega e vive cada momento, cada sorriso...

    Foi a 24 de Julho que partimos em missão. Não sabíamos ao certo ao que íamos, não sabíamos o que nos esperava… Estariam à nossa espera? Como cativar aquelas crianças com o carisma salesiano e sem grandes recursos? Tudo era incerto, mas era esse o desafio que Deus nos confiava e, com o apoio de Nossa Senhora Auxiliadora, lá partimos confiantes.

    Quatro semanas, quatro bairros, muitos sorrisos e muitos abraços… Houve tanto para viver, tanto para crescer, ainda há tanto para digerir e compreender. Não é possível descrever o que se sente com um olhar e um abraço verdadeiramente grato e sentido. Abraços de saudade, ainda antes da partida!

    Se há coisa que aprendi com tudo aquilo que vivi é que não precisamos de grandes materiais, de grandes atividades ou de grandes estruturas para se animar dezenas de crianças e jovens dos 4 aos 20/22 anos, com quem podemos ter dificuldade em falar, devido à barreira linguística. Precisamos de um único recurso: nós próprios. Se nos entregamos verdadeiramente e nos despimos de preconceitos, nada mais precisamos, pois somos capazes de chegar aos seus corações... E uma coisa é certa, são crianças e jovens que chegam e conquistam verdadeiramente os nossos corações!

    Muito mais há para dizer, muito mais há para compreender e crescer com estas quatro semanas que passaram a correr… Termino fazendo referência à alegria, à festa indescritível que tivemos a oportunidade de partilhar e viver com aquelas crianças num dia de chuva… é arrepiante viver uma alegria tão intensa em que se canta, dança e grita, uma alegria que se vive verdadeiramente. Dezenas de pessoas à chuva, com expressões de verdadeira gratidão.

    Agradeço a Deus pelo exemplo de D. Bosco e pela oportunidade que me deu de crescer e viver intensamente esta missão. Tudo aquilo que fica por dizer e compreender fica guardado com um grande sentimento de saudade, mas de verdadeira gratidão.

    Um grande obrigado a todos aqueles com quem pude partilhar esta missão, ao grupo e a todos com quem tive o prazer de me cruzar, foi com eles que cresci e foram eles que tornaram tudo isto possível e especial. Tal como se diz por lá, “estamos juntos”.

    Si Ka badu ka ta biradu: é preciso partir para poder voltar. Estou de volta, com a alegria de ter partido e na esperança de também de lá ter partido, para lá poder voltar!

  • Ana Fonseca - Missão Boa Esperança

    by Vanessa Santos | out 31, 2014

    Como toda a gente que volta de viagem, também eu quando cheguei da missão da Boa Esperança quis mostrar a todo o mundo as fotografias daquele magnífico mundo. Mostrei com o orgulho genuíno de quem amou, de quem se sente parte. Mas embora a minha alegria fosse grande ao mostrar as fotografias, quem as via apenas exclamava: 'que pobreza, que desgraça, que miséria'. E da mesma forma que antes sentia orgulho, aí sentia ofensa. Eu não via nada de miserável em nenhuma daquelas casas inacabadas, em nenhuma parte daqueles caminhos de terra, em nenhuma daquelas crianças de pé descalço e sem camisa. Não. Eu via o meu bairro, os meus vizinhos, a minha gente. E sim, mesmo sendo loira e tão diferente deles, eu fui aceite como uma do bairro. Abriram-me a porta, convidaram-me a entrar, confiaram-me os filhos deles, que por sua vez me ensinaram a sua cultura. Mesmo que por apenas 20 dias, aquela era a minha realidade. Palavras são palavras, e imagens são apenas imagens, e só quem lá vive entende. Fui para lá com medo de não sobreviver a falta de água, falta de luz, saudades de casa ou ao comer "melva" todos os dias. Mas lá aprendi o que é viver.

    É que afinal, luxos são isso mesmo e não trazem assim tanta felicidade, da mesma forma que família é quem nos abraça todos os dias e quem ora connosco e por nós, e afinal a verdadeira sabedoria está onde menos se procura. Se pudesse voltar, não voltaria a dizer que ia lá ajudar, dizia antes obrigada, lá e com eles e com a família que viveu comigo aprendi o que é a vida, segui Dom Bosco e encontrei Deus. 

  • João Fialho - Missão 1841

    by Vanessa Santos | out 31, 2014

    A primeira sensação ao sair do avião no aeroporto da cidade da Praia foi inesquecível: ar quente e húmido que envolvia tudo e todos. E foi assim também que senti a minha missão com todas as crianças e jovens: todos nos envolviam e acolhiam com um enorme sorriso na cara.

    Ao recordar cada um daqueles 28 dias, cada uma daquelas caras, cada um daqueles sorrisos talvez consiga descrever tudo na palavra simplicidade. A simplicidade dos gestos, do acolhimento, da participação ativa em cada uma das atividades que eram propostas, das despedidas calorosas…

    Percebo agora que ser voluntário em Cabo Verde é trazer a mala cheia de recordações, momentos gravados na memória, histórias para contar e muitas amizades novas.

    Os dias eram passados em atividades com as crianças e jovens. Com os mais pequenos os jogos, brincadeiras, danças e músicas eram as atividades mais apreciadas. Com os mais velhos as dinâmicas, debates, jogos e reflexões levavam a melhor. E, como não podia deixar de ser, a espiritualidade juvenil salesiana estava presente em cada um destes momentos mas também nos bons-dias e nas eucaristias que realizávamos diariamente.

    Para além das atividades de ocupação de tempos livres com as crianças outra parte muito marcante desta aventura foi a vivência em grupo. Viver 24h por dia num grupo de 9 pessoas ameaçava tornar-se uma tarefa árdua, mas foi totalmente o oposto! Aproveitámos os vários momentos de grupo para nos conhecermos melhor, para rezar em grupo (e como foram marcantes as orações da noite!), para estudar melhor alguns temas salesianos mas também para passear e aproveitar a oportunidade de conhecer algo mais por terras cabo-verdianas.

    Tentando fazer a síntese de tudo o que vi, de tudo o que vivi, de tudo o que senti ao fazer esta missão… bom, é difícil fazer já a síntese. Mas posso afirmar com grande certeza que me encheu o coração poder ser “sinal e portador do amor de Deus aos jovens”, ter a oportunidade de deixar em cada uma das pessoas com quem me cruzei uma pequena semente do carisma salesiana e uma vontade de continuar o que foi iniciado. O olhar de tristeza no rosto das crianças no dia da despedida faz-me acreditar que a presença dos “jovens dos salesianos” ficou marcada em cada comunidade e vincada na memória de cada pessoa. Para além disso, faz-me pensar que marcámos a diferença e mostrámos que os dias não têm que ser todos iguais.

    Todo o cansaço foi ultrapassado pela alegria daqueles com quem me cruzei, o desconhecido inicial transformou-se numa sensação de familiaridade crescente e a vontade de regressar fica maior a cada dia que passa. Um grande obrigado a todos aqueles com quem partilhei esta experiência, sobretudo àqueles que a tornaram, para mim, uma experiência única e irrepetível!