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  • Michael Zimmerman - Missão Morabeza

    by Vanessa Santos | fev 03, 2015

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    Versão Original em Inglês

    Optatam Totius. O Decreto do Concílio Vaticano II, sobre a formação sacerdotal, afirma que a formação dos seminaristas deve incuti-los "com o verdadeiro espírito católico... para transcenderem os limites da sua própria diocese, nação ou rito e ajudarem as necessidades de toda a Igreja, preparando-se em espírito para pregar o Evangelho em todo o mundo". E não há dúvida que a Faculdade Norte Americana nos prepara para servir a Igreja universal, especialmente durante o verão depois do nosso primeiro ano em Roma, quando a maioria das aulas decorrem no estrangeiro, num apostolado ou numa experiência de aprendizagem de línguas.

    A experiência mais importante do meu apostolado de verão foi o período de três semanas que passei em missão com os Salesianos de Portugal. Esta teve como destino a cidade de Praia, capital de Cabo Verde, um país formado por dez ilhas na costa Ocidental de África. Como a língua oficial de Cabo Verde é o português, muitas vezes tive dificuldade em comunicar. Para compensar a falta das palavras certas, acabei por expressar os meus pensamentos ao ler passagens da Bíblia em Português. Eu já acreditava, mas nunca tinha visto tão claramente como a palavra de Deus se pode traduzir no nosso quotidiano. Os meus novos amigos em Cabo Verde podem não ter compreendido muito mais do que eu disse, mas enquanto eu servia ao altar ou apoiava os catequistas da paróquia, ao ler a palavra de Deus aos jovens pude ver o efeito nos seus corações.O poder de Deus é apurado e manifestado nas nossas fraquezas.

    Além de ser o único membro estrangeiro no grupo da missão, por ter quase dois metros, também sobressaí de outras formas. A minha altura permitiu muitas experiências memoráveis, as crianças pensavam em mim como um “parque infantil humano” ou um cesto de basquetebol— muitas vezes ao mesmo tempo. O meu momento favorito foi dançar com uma menina de quatro anos. Tive de me curvar para conseguir segurar as mãos dela, enquanto ela apoiava os seus pés descalços nos ténis de tamanho 48. Saltitávamos para cima e para baixo ao som de uma música ao estilo Zumba, enquanto as outras crianças corriam e dançavam à nossa volta. A sua boca e seus os olhos estavam tão abertos, que ela não conseguia conter a sua alegria. Fiquei maravilhado ao ver como uma pequena iniciativa era tudo o que bastava para criar um ato de amor — o maior bem de todos.

    Uma família muito generosa hospedou o nosso grupo de dez durante as três semanas em Cabo Verde. A cada semana nós servíamos uma zona diferente da paróquia local. Depois de acordar pela manhã, rezávamos juntos, tomávamos o pequeno-almoço e preparávamos o resto do dia. Quando chegávamos à capela da zona eramos recebidos por crianças e pelos seus sorrisos, abraços e high-five’s. No final de cada semana, pelo menos duzentas aguardavam pela nossa chegada todas as manhãs. Com uma pausa para regressar a casa e almoçar, as nossas sessões da manhã e da tarde consistiam em jogos ou danças, seguidos pelo tempo na capela dedicado a histórias, canções e catequese. Depois o grupo dividia-se por idades (desde crianças a jovens adultos) para mais atividades, reflexão e oração. Todas as noites nós juntávamo-nos para celebrar a missa. Era um prazer ver as comunidades tão animadas por terem missa todos os dias. Após esta terminar dávamos sessões de formação a catequistas e jovens líderes nas comunidades. Concluíamos os nossos dias com um jantar de grupo e um momento de oração e reflexão. Durante o fim-de-semana desfrutávamos de um dia para passear e visitar a praia.

    O meu verão em Cabo Verde deu-me uma visão comparável à que São Paulo relatou quando recordou todas as suas dificuldades ao espalhar o Evangelho.

    Eu reconheci a recompensa que é compartilhar a palavra de Deus e o seu amor, tornando as dificuldades de todo o verão — estar o dia inteiro sob o sol quente e muitas vezes sem água ou electricidade— totalmente merecedoras. Após a minha missão em Cabo Verde, eu comecei a sentir a vida, um coração missionário da Igreja a bater dentro de mim. Por favor, orem por mim e por todos os seminaristas, para que nos possamos tornar padres, como o Papa João Paulo II visionou, com "a mente e o coração de missionários — abertos às necessidades da Igreja e do mundo", para ajudarmos para além da Igreja local a quem se encontra longe, ou distante dentro dos seus corações. Rezem para que nós possamos pregar o Evangelho de Jesus Cristo, sempre e em todo o mundo.

  • Leonida Milhões - Missão Boa Vista

    by Vanessa Santos | jan 28, 2015

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    1 - Gostei muito de ver e sentir a alegria expressa por "alguns", de que a Palavra é um bom exemplo, com suas gargalhadas bem como da forma como os cabo-verdianos se aproximam e acolhem.

    2 - De igual modo não gostei do outro lado: episódios mais violentos, da falta de água, da fome, da falta de higiene e de cuidados básicos na área da saúde, das muitas carências (até afectivas) a que não se consegue dar resposta mas são bem visíveis em alguns olhares triste, atitudes ou posturas.

    3 - Infelizmente as dificuldades pois estava a contar com uma dura realidade e aí não havia engano. A língua com as dificuldades de comunicação ou a adesão às actividades estavam dentro do previsto por isso a forma como se foi lidando com tudo esteve dentro das expetativas ainda que, de vez em quando, gostasse que se pudesse  ter conseguido um pouco mais.

    4 - Superou o facto de se ter conseguido servir almoço ou merenda aos inscritos no campo de férias, o modo como eles recebem ou confiam, a espontaneidade e o gosto no acolhimento (será isto a morabeza?)

    5 - Gostaria de ter partilhado um pouco mais da vida da comunidade, de ter tido mais tempo e de ter-me entrosado mais na realidade e, tendo um maior conhecimento, ter podido ajudar mais. Gostaria de ter trabalhado mais com os jovens locais, de conhecer melhor seus locais de trabalho e realidades ( casa de direito, violência familiar...) para melhor entender, ajuizar e ajudar, estando mais atenta, no nosso trabalho.

    6 - As maiores dificuldades foram mesmo no entendimento de algumas situações tendo em conta as realidades diferentes ( a nossa e a deles) em diferentes níveis: hábitos, culturas, carências diversas tais como  a falta de água, de saneamento, de segurança, de higiene... a par da incerteza provocada pela vinda ou não vinda " do barco" com a garantia de que haver alguns produtos durante alguns dias.

    7 - As maiores facilidades devem-se ao nosso grupo com o acolhimento e o modo como me integrou, à relação com as Irmãs que facilitaram um pouco a comunicação, ao facto de ter à mão ou relativamente perto muito do necessário ao nosso consumo ex: peixe, hortaliças, fruta, pão, mercearia... e, acima de tudo, a simpatia de todos.

    8 - Algumas capacidades e competências para estar mais atenta, melhorar a capacidade de diálogo e resposta bem como o serviço prestado nesta missão. Melhoraria a minha organização de forma a rentabilizar mais os tempos respondendo de forma mais acertada, rápida e útil às diferentes solicitações.

    9 - Procurar, aproveitar ou criar mais espaços de reflexão e de trabalho com o grupo de modo a melhorar a planificação ou organização de actividades, a selecção de materiais ou mesmo a discussão de pontos altos e fracos expostos na partilha ou pontuais. 

    10 - Penso que se evitava alguma rotina dificultando a previsão que pode, por vezes, trazer desinteresse ou desmotivação.  Poderia haver  mais responsabilidade ou espaço de participação dos jovens na formulação e implementação das regras do Campo de Férias responsabilizando-os, deste modo,  pelas suas propostas e escolhas. O mesmo se poderia aplicar à programação de algumas actividades que, envolvendo mais os jovens em todo o processo, lhes desse a possibilidade de mostrar mais as suas competências sociais e culturais.

    11 - Alguma alteração de horários para criar um tempo destinado á avaliação das propostas e das actividades desenvolvidas de modo a ponderar continuidade, alterações ou substituição das mesmas tendo em conta os resultados obtidos, a necessidade, a motivação e as estratégias adequadas ou a adequar bem como as metodologias usadas.

  • Elsa Barrelas - Missão aFEto

    by Vanessa Santos | jan 13, 2015

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    Missão aFEto… 21 dias, vividos de coração!

    Deixei Portugal a 27 de Julho, com a certeza de que queria ir em missão mas com alguns receios e medos. Sabia o que queria fazer em Cabo Verde, de que modo me queria dar aos outros mas na verdade sabia que poderia não ser nada como tinha imaginado. E não foi.

    À chegada não me foi possível absorver muito do lugar, chegámos de noite e começámos a trabalhar no bairro na manhã seguinte. Trabalhámos em três comunidades distintas, Castelão, Achada Grande Frente e Achada Grande Trás. Eram comunidades com grandes dificuldades, principalmente a primeira, onde à chegada nos confrontámos com pessoas que não tinham água há dias. Se quando ela não nos corre pela torneira de manhã nós desesperamos, imagine-se o que é não a ter de todo. No primeiro dia de actividades trabalhámos com cerca de 200 crianças, o que nos deixou bastante emocionados. É indescritível o modo como nos receberam, os beijos e abraços que recebíamos todos os dias, muitos mais do que os que dávamos, o modo como as pessoas nos convidavam a entrar em sua casa, como nos preparavam o almoço à sexta-feira. O dia-a-dia era muito desgastante fisicamente mas ao mesmo tempo muito compensador. D. Bosco estava connosco, todos os dias, e no rosto de cada um de nós que dava o que de melhor tinha por aquelas crianças e jovens. Enquanto estávamos com eles não havia cansaço…havia festa, alegria, carisma salesiano. Foram muitos os jogos, as brincadeiras, os desenhos, os mergulhos, mas foram também muito importantes os bons dias e as orações que fazíamos com as crianças no início e final do dia.

    Apesar de acharmos que estamos preparados para tudo é difícil enfrentar situações com que nos confrontamos neste contexto. Oferecermos uma pequena bolacha e a criança voltar mais tarde com uma moeda para a pagar porque está habituado a que seja assim (e porque simplesmente não lhe oferecem nada) ou ter crianças que a meio da tarde nos confessam que ainda não comeram naquele dia são coisas que nos “prendem” o estômago…quanta comida por exemplo desperdiçamos?

    No entanto, embora lhes falte tanto, estas crianças encaram a vida sempre com um sorriso e são tão felizes.

    Guardo no coração cada uma delas, que me marcaram profundamente por uma palavra, um gesto, uma característica. Por cada um deles uma lágrima na despedida. Posso não me lembrar do nome de todos, mas acredito que todas me ajudaram a ter a certeza que esta é uma experiência a repetir.

    A agradecer tenho à Fundação D. Bosco Projecto Vida, a possibilidade que me deu de realizar esta missão, e a transmitir toda a espiritualidade salesiana que aprendi enquanto aluna. Como nos diz o lema para este ano, dei vida ao sonho: OBRIGADA!

  • Madalena Morais – Missão Boa Vista

    by Vanessa Santos | jan 13, 2015

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    4 meses depois, descrever esta experiência deveria ser mais fácil. Infelizmente não o é, nem de perto. As emoções vividas, essas, não têm possível descrição. São apenas sentidas por quem as vive e intrasmissíveis. Poderia estar aqui com uma panóplia de objetivos bonitos para enfeitar o papel quando na verdade a melhor caracterização é mesmo essa: intransmissível.

    Os meses de formação preparam-nos para o planeado, para os nossos objetivos, atividades e caminhos mas nada nos prepara para o inesperado, e é disso que a experiência é feita e enriquecida.

    Quando aterrei naquela ilha tinha a minha cabeça cheia de expectativas, mas não ao ponto de sair dali focada apenas em voltar... “Madalena tem calma”.

    Os clichés soam a algo banal, mas por vezes são as palavras que mais facilmente encontramos para descrever o que queremos e não tenho dúvidas nenhumas que fui com duas malas cheias e um trabalho de 3 semanas para dar, mas voltei com ensinamentos para a vida inteira que nenhuma escola alguma vez me deu. Ensinaram-nos a valorizar todas as coisas mais simples que temos, acima de tudo a aproveitar o momento, com morabeza e descontração. Ainda hoje não sei bem, mas acho que esse foi o maior ensinamento que retive.

    As dificuldades fizeram parte, e ainda bem, ninguém aprende e cresce sem elas. Com as crianças, com o grupo ou até mesmo individuais foram questões ultrapassadas e o objetivo principal teve sempre maior influência aquando estas e guiou-nos ao longo das três (curtas) semanas. Num campo mais específico, a maior dificuldade sentida foi a maneira de agir com as crianças problemáticas, uma área na qual não tinha qualquer experiência prévia e onde as abordagens possíveis são sempre motivo de discussão e debate.

    Sabemos que não mudámos o mundo, nem o bairro, nem a escola mas com certeza deixámos a nossa marca. Dou por mim a dar mais valor ao meu estilo de vida, mas a desejar o deles, todos os dias desde que cheguei.

  • Joana Barruncho - Missão SALes XXI

    by Vanessa Santos | out 31, 2014

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    “Servi uns aos outros de acordo com o dom que cada um recebeu, como bons administradores da multiforme graça de Deus.” 1 Pedro 4:10

    Esta era uma aventura da qual queria tomar parte há muito tempo. Envolvi-me nela sozinha, fui falando com pessoas que me podiam tirar algumas dúvidas, e ao fim de algum tempo vi-me a ir às formações e reuniões de preparação. Fui conhecendo o grupo e aprendendo com eles, e esperei que viesse a viagem. Éramos 14 voluntários a partir para a Ilha do Sal na Missão SALes XXI, e a maior parte já se conhecia há alguns anos dentro dos seus grupos de amigos, apenas eu estava mais de fora. Contudo, a relação com todos foi boa e acabei por fazer novas amizades.

    Antes de partir para a ilha, sentia imenso entusiasmo e medo ao mesmo tempo. Estava entusiasmada por querer mostrar às crianças o que tínhamos preparado para elas, e estava com medo pois por muito que nos informemos nunca sabemos o que nos espera nem como seremos capazes de lidar com o que nos espera.

    A experiência na Ilha do Sal foi de muita aprendizagem. Aprendi a conhecer os meus limites, os meus pontos fortes e fracos, com as crianças descobri uma outra maneira de ver o mundo, e com a sua comunidade descobri uma nova cultura e uma outra maneira de encarar a vida. O que vemos na ilha é um mundo à parte daquele que conhecemos. Não vou exagerar, porque com certeza existem lugares bem piores, mas uma vez comparando o que esta comunidade tem com aquilo a que nós temos acesso, ficamos de facto tocados, em especial quando fomos apresentar as nossas actividades às crianças do Bairro de Santa Cruz.

    Apesar da frieza que recebemos da paisagem (afinal de contas Sal é das ilhas mais secas de Cabo Verde, e a paisagem é composta maioritariamente por um ambiente seco de terra e pedra), recebemos das crianças uns abraços calorosos e um carinho imenso que acredito ser muito puro, muito genuíno. Acredito nisto, pois nos primeiros dias apenas os entretínhamos e ensinávamos alguma catequese, música, e jogos, ainda não lhes tínhamos oferecido nenhum do material que tínhamos trazido para lhes dar. Até porque o nosso objectivo era ensinar-lhes o valor da recompensa pelo esforço, isto é, apenas oferecer em troca do seu bom comportamento, e vontade de ter um bom desempenho. Nestes primeiros dias já nos agradeciam e abraçavam apenas por termos aparecido naquelas horas, e é por isso que acredito que aquele carinho era mesmo genuíno, eles precisavam de ajuda (nem que fosse só para fazer
    companhia, rezar, ouvir, e ensinar brincadeiras novas), nós estávamos lá para eles, e eles agradeceram como puderam. E não podia haver recompensa melhor pelo nosso esforço, do que ver os sorrisos e ouvir as gargalhadas.

    As reuniões e os dias reservados para arrumar o material para a missão acabaram por ajudar bastante a criar uma intimidade que veio a ser útil ao longo da missão, pois 14 pessoas a viver juntas, cada uma com a sua personalidade, foi um dos desafios a que nos propusemos. Não vou dizer que foi sempre cinco estrelas, pois várias personalidades juntas tendem a colidir a uma dada altura, mas isso só serviu como exercício de autoconhecimento para que assim pudéssemos lidar melhor uns com os outros, com as nossas qualidades e defeitos.

    Nos nossos momentos de convívio havia sempre alegria e diversão e isso ajudou (pelo menos a mim) a aliviar o cansaço acumulado ao fim do dia. Tínhamos o desafio de ser solidários para com um amigo secreto, dividimos tarefas, aprendemos jogos locais (com os adultos e com as crianças) que nos serviam de entretenimento depois do jantar e da reunião diária, enquanto uns lavavam e estendiam roupa, outros tomavam banho, ao som dos outros que animavam com uns ensaios de música. Resumindo isto, por muito diferentes e talvez estranhos que fossemos, acabámos por nos dar bem e conseguimos criar um ambiente de boa convivência que se reflectia no nosso trabalho com os miúdos.

    Escolhi registar aqui a passagem acima, pois para mim transmite aquilo que eu sentia antes e depois desta viagem. Todos fomos presenteados com o dom da vida, e a forma que temos de agradecer esse dom é no mínimo ser bondosos uns para os outros, ajudar-nos mutuamente da forma que cada um é capaz. Escolhi esta missão pois achei que em termos de tempo e trabalho seria desafiante mas ao mesmo tempo estava dentro das minhas possibilidades, e depois de vir embora apenas penso “superei os meus medos, dei o meu melhor, e só espero que o que viemos cá trazer seja continuado, ainda que em menor escala, e que pelo menos tenhamos conseguido fazer chegar a nossa mensagem e os nossos valores a algumas das crianças.”.
    Esta experiência serviu para me despertar para um mundo diferente que há “lá fora”, e enquanto estiver dentro das minhas capacidades ajudar, de que forma seja, irei fazê-lo.

  • Diana Arrobas - Missão SALes XXI

    by Vanessa Santos | out 31, 2014

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    20 dias vividos de maneira diferente Durante vários meses preparamos a Missão Sales XXI, projetamos objetivos enquanto grupo de missão e a nível pessoal também. O meu objetivo principal foi: dar e receber de coração! E foi algo que consegui porque no fim desta experiência senti que dei e que recebi ainda mais, aprendi a dar mais valor às pessoas e menos às coisas, aprendi a valorizar os pequenos momentos, aprendi que vale a pena sair da nossa zona de conforto e ir mais longe, com o passar dos dias aprendi que mesmo tendo pouco é possível partilhar e ser feliz....aprendi muito.

    Chegou o dia da viagem, partir em missão, viver uns dias diferentes, dedicar parte do meu tempo aos outros, conhecer uma outra realidade, viver em grupo, reconhecer o agir de Deus nas pequenas coisas do quotidiano... Cada dia era um desafio, ir ao encontro de cada criança, transmitir a alegria de ser cristão e de viver o espírito salesiano que tanto nos caracteriza. O tempo que passei com aquelas crianças e adolescentes foi muito gratificante, a barreira linguística por vezes dificultava a comunicação, mas um sorriso tem o mesmo significado em todo mundo... é linguagem universal! O sorriso feliz de cada criança recompensava qualquer espécie de cansaço e convidava a dar cada vez mais de mim. Uma grande ajuda nesta missão foi o momento de oração que tínhamos no fim do dia, momento esse onde agradecia e ganhava forças para o dia seguinte. A convivência em grupo foi positiva, é difícil esquecer as amizades feitas, os momentos de brincadeira, a alegria constante, as refeições animadas, os momentos musicais ... os 20 dias vividos ao máximo.

    A aventura chega ao fim regresso mais rica do que alguma vez pensei, recordações, amigos, momentos únicos... Ainda agora cheguei e já estou com vontade de voltar aquela que foi a minha casa e família durante alguns dias, rever aqueles miúdos que me cativavam dia após dia. Agora olho à minha volta e vejo que ainda há muito a fazer e que por mais insignificante que seja o que nos fazemos faz sempre a diferença. Obrigada a todos aqueles com quem partilhei esta experiência, a cada pessoa que se cruzou comigo... Um até já !

  • Inês Pinheiro - Missão Boa Vista

    by Vanessa Santos | out 31, 2014
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    Mais uma missão, mais um regresso a Portugal com o coração cheio.

    No dia 29 de julho, parti, pela terceira vez, em missão salesiana. Desta vez o destino foi a ilha da Boa Vista, em Cabo Verde. Três semanas e com um grupo de 13 pessoas. Uma experiência que, sendo nova e diferente das minhas duas longas estadias em Moçambique (2012 e 2013), acabou por se tornar mais uma aprendizagem cheia de momentos marcantes e indescritíveis.

    É difícil quererem obrigar-nos a passar para palavras tudo o que lá vivemos. Como é que eu posso explicar a quem não esteve lá que sinto saudades de coisas tão simples como comer uma chupeta depois do jantar, tomar banho de água fria com duas baratas ao meu lado, dormir num colchão numa sala de aula, lavar a loiça a três, vestir t-shirts verdes todos os dias ou ir buscar pão de manhã para o pequeno-almoço? Neste momento, a única coisa que consigo realmente dizer é que todos os dias tenho saudades do meu bairro, o Bairro da Boa Esperança, ou da Barraca, como era conhecido.

    Como é que em três semanas se pode sentir tanto? Nunca pensei que tão pouco tempo me fosse marcar assim desta forma. Só tenho a agradecer a Deus por me ter dado mais esta oportunidade. Agradecer-Lhe, principalmente, as pessoas que colocou no meu caminho e com quem aprendi, mais uma vez, a viver na simplicidade e na genuinidade. Pessoas que nunca vou esquecer e que estarão sempre cá dentro comigo: a Palavra que já era da casa, o Eddie e o bebé que eram da família, a Jany que era a nossa companheira, o Tchota que cantava sempre a mesma música, o Júnior que era o monitor preferido do Campo, a Sandra que era a minha ajudante e a da Nádia, o Ailton que deu o seu exemplo enquanto jovem, o Cleiton, a Larissa e o Gilberto dos "Pinguis", a Giovana que era o amor do João, o Leo e o Igor que eram os irmãos dos monitores, o João que era o turista filósofo e que nos alegrou com "a mão no meu coração", o Fabrício e o Nuno que eram os terrores mas que nos cativaram, a Eunice, a Liliane, a Edivânia, a Zuleica, o Gilson, o Edgar e todos os meus meninos que faziam parte das “Águias”. Saudades de todos eles, saudades que me deixam o coração apertado e que me fazem olhar para as fotografias e ouvir as músicas de lá todos os dias, numa tentativa de resgatar tudo o que lá vivi.

    As semanas que se passam em missão correm a voar. No dia 19 de agosto, quando tive de regressar a Portugal, a única vontade que tinha era de ficar lá, poder continuar na nossa casa, a trabalhar com as nossas crianças e a viver no nosso bairro. Para mim, a experiência missionária traduz-se nesta entrega, neste desprendimento de Portugal e na dedicação que é dada às pessoas com quem se está a trabalhar, é ir ao encontro do outro e sentir que, em cada gesto e em cada sorriso, Deus nos está a ensinar a importância das pequenas coisas. E quando nos entregamos desta forma, de mão dada com Deus, o que se recebe em troca é muito maior do que alguma vez se possa imaginar. Sinto-me grata por ter podido viver tudo o que vivi, ter conhecido as pessoas que conheci e ter, mais uma vez, crescido enquanto pessoa e enquanto cristã.

    Em missão, tudo é posto em perspetiva. Dei por mim a dar valor a uma simples casa de banho em que o autoclismo funciona, onde há um espelho e a torneira do lavatório não está estragada. Mas a verdade é que deixamos os confortos de cá e rapidamente nos habituamos à simplicidade da vida em missão e à rotina serena daqueles dias, o que nos fez sentir em casa desde o dia 29 de julho em que aterrámos no aeroporto Aristides Pereira até ao dia 19 de agosto em que tivemos que deixar o Centro Educativo Nossa Senhora da Boa Esperança. E é tão estranho explicar que nos sentíamos em casa, mesmo vivendo numa escola, dormindo e comendo em salas de aulas, e que isso para nós era tão normal. Aprende-se a dar valor ao que temos cá e, no entanto, a desejar a alegria que sentimos lá por nos sentirmos capazes de tudo. Em Cabo Verde, uma cadeira de rodas e uma mala antiga de viagem servem de brinquedos e motivo de riso, um simples balão alegra uma criança uma tarde inteira e uma visita nossa às suas casas torna-os tão contentes. Como explicar que com eles nos sentimos mais completos e genuínos?

    O regresso é o que custa mais, as semanas que se seguem depois de se voltar de lá. Não é fácil dizer “adeus” a tudo o que se viveu durante a missão e pensar que não se sabe quando se voltará a ver as pessoas com quem criámos laços. Quando se volta, depois de se ter aprendido e vivido tanto, já não se canta o "passo a passo, grão a grão..." da mesma forma, já não se ouve crioulo sem sorrir, já não se vai para a praia sem recordar uma fila de crianças com t-shirts verdes e de mãos dadas. Tudo passa a ter outro significado e tem-se saudades de tudo. Sente-se falta do calor, do cheiro, da água, da areia, da terra e, principalmente, da música, daquela música e daquela dança que existem sempre neles e que os torna tão únicos e especiais.

    É ao relembrar momentos como o almoço de cachupa no telhado de casa da Jany, o jogo de matraquilhos com o bebé, o “não fui eu” do Eddie depois de me tocar nas costas, a receção diária da Palavra quando saíamos de casa, o orgulho que senti na apresentação das “Águias” na festa, a missa de final de Campo que transmitiu tanta emoção e paz, as viagens na carrinha de caixa aberta a ouvir música no rádio da Jany, as idas para a praia do Estoril a cantar “o carro do meu chefe tem um furo no pneu...”, que me faz tanto querer regressar à Boa Vista, ao nosso bairro, à nossa casa. Se há coisa que aprendi é que quem parte em missão nunca volta por completo, há bocadinhos do nosso coração que ficam sempre lá, junto das pessoas que nos tocaram e das emoções todas que sentimos, em momentos sinceros de alegria e amor como estes.

    Não posso deixar de agradecer à Irmã Paula e à Irmã Valerie que nos receberam na sua casa e nos acolheram sempre tão bem. E agradecer, principalmente, ao grupo que partiu comigo nesta missão e que, em três semanas, se tornou uma família. As aprendizagens e sentimentos que partilhámos irão ligar-nos para sempre e agradeço por termos vivido esta experiência juntos, foram também vocês que a tornaram especial. Obrigada à Maria, à Sara, à Nádia, à Mada, à Gaby, à Marisa, à Cris, à Teresinha, à "mãe" Nida, ao João, ao António, ao Vasco e ao Pe. Aníbal.

    Cada partida para missão é uma nova aprendizagem, um crescimento, um encontro com Deus. Espero continuar a partir sempre e, quem sabe, um dia talvez possa partir e não voltar.