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  • Mariana Gonçalves - Missão Junta Mon

    by Vanessa Santos | jan 26, 2017

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    O que dizer dos vinte e dois dias que passei em Cabo Verde?

    A cada dia uma novidade, um rosto novo, um sorriso novo. Fomos tão bem recebidos. Adultos, jovens e crianças acolheram-nos tão bem que rapidamente sentimos que aquela era a nossa casa e a nossa família.

    Dois dias depois de chegarmos a Ribeira Grande começámos as atividades. As manhãs eram passadas em atividades com as crianças e jovens da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário. Alegria, diversão e sorrisos não faltavam. Cada canção, jogo ou brincadeira estavam repletos de amor e dedicação, tanto da nossa parte como das crianças e jovens. A felicidade era visível e sentida. As tardes eram passadas entre o hospital, o lar, a cadeia ou as localidades mais distantes da povoação e, também aqui, se sentia o carinho e a alegria daquela gente. Apesar de todas as limitações, tanto físicas como materiais, sentíamos ternura, afeto, fé e esperança. E tudo isto nos fazia esquecer o cansaço e as dificuldades que também se fizeram sentir.

    É difícil explicar tudo aquilo que recebi e aprendi com esta experiência. Levámos malas cheias de materiais para dar, no entanto, no regresso, parecia faltar espaço para as saudades e o amor que tínhamos no coração. Como tantas vezes dissemos quando lá estávamos, pensamos que vamos mudar a vida das pessoas, mas é o que sentimos, a nossa visão do mundo e a nossa vida que se alteram.

    No coração ficam os sorrisos, os beijos, os braços abertos, os conselhos e o amor imenso de novos e velhos. Ficam também as amizades que fizemos dentro do grupo e com os jovens da Paróquia.

    Volto com uma enorme vontade de continuar esta missão. Espalhar a fé e o amor de Deus, dar mais, servir mais, fazer sempre o melhor.

    Obrigada a todos! Fui muito feliz em Ribeira Grande. Foi inesquecível! 

  • Margarida Encarnação - Missão Junta Mon

    by Vanessa Santos | jan 26, 2017

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    Esta missão para mim foi mais do que uma simples missão de voluntariado. Foi uma descoberta de mim mesma e do verdadeiro mundo que me rodeia!

    Para mim foi um abrir de olhos. Tenho completa noção de que fiquei mais próxima de Deus e de Jesus graças a esta experiência e por isso estou realmente grata.

    Cresci, cresci muito! A partir do momento que aceitei o desafio que propus a mim mesma que soube que a minha vida ia mudar. E mudou mesmo! Aconteceu tudo na altura certa. Era agora que tinha que acontecer e foi agora que aconteceu.

    O que mais me marcou foram definitivamente os sorrisos. Os sorrisos das crianças com que estivemos todos os dias no campo de férias; os sorrisos dos idosos que visitámos no Centro de Dia que se mostraram ainda cheios de vida e com muitas histórias por contar; os sorrisos dos habitantes das várias localidades a que fomos…

    Todos, desde os mais novos aos mais velhos, nos receberam de braços abertos em suas casas e com um enorme sorriso nos falaram de si e suas famílias e deram-nos conselhos para a vida.

    Claro que também ficará gravada na minha memória a força deste povo que funciona como um só. Foi fantástico ver como ali ninguém está realmente sozinho. Todos se ajudam uns aos outros. Ali sim existe a verdadeira comunidade! O hospital estava quase vazio (interpretei isso como um bom sinal). E eles duram, duram e duram! Têm uma força e uma garra impressionantes!...Uma fé impressionante! Muito dificilmente vão abaixo.

    Santo Antão e o seu povo têm um lugar especial no meu coração! Nesse lugar estão todos os sorrisos que presenciei, todos os abraços que recebi e todos os lugares que visitei. E claro, todas as lágrimas que derramei e todas as vi os meus novos amigos (que sei que são para a vida) a derramarem.

    Foi uma tarefa difícil deixar este paraíso para trás…

  • José Bandeira - Missão Junta Mon

    by Vanessa Santos | jan 26, 2017

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    A nossa viagem começou muito antes de Agosto. Eu fui o último elemento a juntar-se ao grupo, e já um pouco mais tarde, mas mesmo assim ainda tive muito que fazer antes de me sentar no avião.

    Pode dizer-se que, para mim, a viagem começou quando fui àquela que para os outros era só mais uma, mas que para mim foi a primeira reunião. Foi aí que conheci algumas das pessoas que me acompanharam nesta jornada tão única. Eram reuniões semanais, nas quais se combinavam e resolviam todos os detalhes e problemas, se analisavam as ideias e se chegava a conclusões.

    As semanas foram passando, e o dia da partida, antes tão distante, ia-se aproximando. O tempo não presta contas a ninguém e, quando dei por mim, estava no aeroporto, na infindável fila para o check-in, preocupado porque tínhamos bagagem com excesso de peso.

    Depois, dei por mim sentado no avião, rumo a Cabo Verde. Fiquei sozinho, afastado dos outros elementos do meu grupo. Tentar descansar um pouco, conversar um bocado com o pessoal da missão, brincar com a criança deficiente que se encontrava sentada a meu lado e já chegámos a S. Vicente. Saímos do avião e somos recebidos por um bafo quentíssimo, que nos lembrava: bem vindos a África.

    Só no dia seguinte é que fomos para Santo Antão, sempre muito expectantes: esta experiência do voluntariado internacional era nova para todos, ninguém sabia o que esperar.

    Independentemente das expetativas criadas, é de louvar o modo como fomos acolhidos. Nem por um momento me senti longe de casa. Nem por um momento me senti excluído ou posto de parte. As pessoas que nos receberam marcaram-nos pela simpatia, pela disponibilidade, pela vontade de ajudar. Alguns jovens cabo-verdianos ajudaram-nos tanto, estiveram tão presentes que quase parecia que tinham vindo de Portugal connosco, que lá tinham preparado a missão e que agora estavam prontos a dar tudo de si. As suas caras ficarão sempre guardadas nas nossas memórias, juntamente com as vivências que partilhámos com eles.

    Tivemos a oportunidade de estar com pessoas de todas as idades e personalidades: desde crianças que não fariam mal a uma mosca, a idosos imobilizados por doenças a adultos presos por algum delito ou abuso cometido. Vimos e contactámos com muitas pessoas diferentes, mas todas tinham um factor em comum: não houve uma única que não nos tenha marcado de uma maneira ou de outra.

    E depois há as crianças, que têm a sua maneira muito distinta de nos chegar ao coração. No meio de todas as parvoíces e brincadeiras, de todos os desafios à autoridade e desrespeitos, de todas as gargalhadas e choros. No meio de tudo isto e muito mais, há aqueles actos genuínos de bondade e de amor aos quais se torna impossível ficar indiferente. E acabam por ser elas quem sente mais os efeitos do nosso trabalho, da nossa presença. São elas que olham para nós como pais ou irmãos, como alguém que lhes tenha mudado a vida, apesar de nós acharmos que não fizemos nada que fosse digno de todo esse carinho e admiração que estes miúdos têm por nós.

    A experiência da missão é tão rica em sentimentos e crescimento que faz até com que o voluntariado pareça um acto de egoísmo. Afinal, nós saímos da nossa zona de conforto para dar tudo o que temos, ajudarmos o máximo que pudermos, mas o que acabamos por verificar é que regressamos muito mais ricos, mais maturos, mais desprendidos de tudo o que é materialismo e futilidade. Voltamos com uma perspectiva muito mais aprofundada daquilo que é realmente necessário na vida, daquilo que realmente marca a diferença.

    As experiências vão acumulando, as relações com as pessoas vão-se tornando mais fortes, a sensação de estar no sítio certo a fazer o que é certo vai crescendo. Tudo se intensifica mas, mais uma vez, o tempo não pára, e as três semanas de missão chegam ao fim. É hora da despedida, já se sente uma certa melancolia. É definitivamente um momento muito triste: chega ao fim esta experiência incrível. Dão-se os últimos abraços, todos muito fortes, diz-se o último adeus, tudo sempre acompanhado de muito choro e de uma sensação de saudade. Aquele vazio, aquele aperto no peito. Custa saber que acaba ali uma experiência desta dimensão. Mais que isso: custa saber que vamos ter que mudar de casa outra vez. Porque foi nisso mesmo que aquele espaço se tornou: numa casa, provavelmente uma das melhores em que já vivemos, não por causa das suas condições, mas por causa de tudo aquilo que representa. E porque não há casas sem moradores, custa também saber que deixamos para trás a família que vive nesta casa. Foi uma família que se formou em muito pouco tempo (o que são três semanas?), mas que ficará eternamente no coração. Os que lá ficam têm agora tanto de nós, assim como temos tanto deles. Ainda nem fomos embora, já queremos voltar…

    Aproveito para pedir desculpa por escrever tanto com “eu” como com “nós”, mas isso é também consequência da missão. Além de todas as relações criadas com os locais, temos as relações criadas entre o próprio grupo. E são elas tão fortes que eventualmente as identidades pessoais se desvanecem na identidade coletiva. É incrível como tive a oportunidade de conhecer tantas pessoas fantásticas e depois desta experiência, uma das coisas que gostaria era ter a capacidade de, na loucura da rotina, conseguir manter e cultivar estas novas amizades.

    Despedimo-nos então de Cabo Verde, mas Junta Mon não acaba neste adeus, fica a promessa de voltar.

  • Sérgio Carrilho - Missão Junta Mon

    by Vanessa Santos | jan 26, 2017

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    Na sociedade em que vivemos, é difícil conseguir novas sensações ou experienciar algo que nos surpreenda. As rotinas e o pesar constante da maioria dos nossos dias, retiram-nos o bom e a base da vida: Os sentimentos. Somos como que obrigados a fugir do que nos é natural e chateamo-nos com pormenores ou passagens muito pequenas, que não nos fazem maiores ou mais felizes.

    E esta missão serviu para aprender isto mesmo. Inserido numa sociedade diferente, durante três semanas, consegui perceber que na maioria do tempo, as minhas prioridades estão trocadas. “Os outros”, supostamente carenciados, mostraram-me que não preciso de telemóveis ou computadores para ser feliz, para receber aquilo que, na generalidade, procuramos. Das palavras fizeram-se sorrisos, dos sorrisos fizeram-se abraços e do tempo hão-de fazer-se memórias, transformadas em ensinamentos para a vida. Agora sei que o que levei de novo à vida das pessoas que conheci, foi muito pouco comparado com aquilo que eles trouxeram de novo, à minha. O pobre era eu!

    No fim, marcou a simplicidade, a hospitalidade, o amor e a amizade. No fim, marcou o essencial.

    P.s.: Serve, também, o testemunho, para agradecer a todos os que se cruzaram comigo nisto. Todo o trabalho e chatices, refeições e carinhos. Boleias e partilhas. Grupo Junta Mon. Salesianos. Tia Amélia e família gira. Jovens da paróquia, crianças, idosos e famílias respetivas. Em suma, todos os que, todos os dias, me encheram mais um bocadinho do coração. Obrigado!

    Um Abraço selado pela saudade,

    Sérgio Carrilho

  • João Reis - Escola de Verão e Missão Junta Mon

    by Vanessa Santos | jan 26, 2017

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    A segunda parte do meu testemunho descreve de maneira mais pormenorizada as vivências da missão de voluntariado.

    Pelo segundo ano consecutivo, rumo de Lisboa a Cabo Verde, desta vez, o destino era Mindelo (Ilha de São Vicente). Ao chegar ao aeroporto, fui acolhido pelo Salesiano Francisco que nos levou para a Escola Salesiana de São Vicente.

    A minha experiência na Escola Salesiana foi muito positiva, bem acolhidos e vivendo em comunidade com os Padres e irmãos Salesianos. Desde o momento da Eucaristia, assim como os de oração e refeição em comunidade, foram uma experiência única e muito bonita.

    Na Escola de Verão, os animadores e crianças receberam-me de braços abertos, sempre alegres e contentes, e com vontade de se divertirem!

    O que mais me marcou nesta experiência foi a oportunidade de criar relações com a comunidade, crianças e animadores, que ainda hoje mantêm o contato.

    Houve momentos de cansaço que causaram algum impacto na minha prestação, mas com a vontade de querer mais e com o apoio excelente do Salesiano Celestino, Fabrício e da colega Carina, ia de novo rumo ao trabalho.

    Foram momentos únicos e sinto que o pouco que dei, fiz a diferença.

    Quando terminou a Escola de Verão, parti rumo à Ilha de Santo Antão. Desta vez ia integrar a Missão Junta Mon. Não conhecia ninguém a não ser o Padre Juan.

    Assim que cheguei à Paróquia de Ribeira Grande, fui acolhido pelo Padre Adriano, uma pessoa excecional, que desde sempre era bem disposto e sempre pronto a ajudar.

    Em relação a esta missão, posso dizer que foram momentos únicos, rapidamente me integrei e fui bem acolhido! Cada elemento tinha qualidades únicas e especiais. As crianças também me acolheram bem assim como todas as pessoas que estavam connosco, desde a tia Amélia, aos diáconos, ao Samuel, Ângelo, Johnny, ao João, Cálu, Valdir, Vilson, todos foram e são particularmente especiais, e hoje recordo-os com saudade.

    Em relação ao Padre Juan, acho que foi o elemento mais importante do grupo, estava lá para nos aconselhar, para nos guiar e sobretudo para nos alegrar!

    Recordo-me de alguém dizer no ultimo dia, “a missão não acaba aqui!”, pois bem, e não acaba mesmo, temos de dar um pouco mais do que temos!

  • Constança Coutinho - Missão Junta Mon

    by Vanessa Santos | jan 26, 2017

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    Como descreve o “efeito borboleta”, pequenas coisas podem ser levadas até ao outro lado do mundo. E assim foi!

    Esta aventura começou praticamente há um ano, por volta de Outubro de 2015, quando me decidi inscrever no Programa D. Bosco Projeto Vida, numa missão Salesiana para Cabo Verde. A partir daí as coisas foram correndo naturalmente: fui chamada para uma reunião, os grupos foram constituídos e tudo começou a ser verdade. O grupo “Junta Mon” estava formado e as reuniões semanais começaram a acontecer para planear todas as atividades que iriam ser realizadas, e todas as angariações de fundos para que pudéssemos ir até Santo Antão. Depois de eventos que foram um sucesso, de reuniões até às tantas, de começarmos a sentir a união do grupo, estávamos finalmente prontos para seguir viagem!

    Para mim, resumindo numa pequena frase, estar em Santo Antão foi descobrir ou redescobrir o que é o amor. Disse isto numa das primeiras partilhas de grupo, e continuo a dizer quando falo aos outros desta experiência incrível. Naquela ilha descobri a simpatia genuína, a preocupação pelo outro, o cuidado pelo que está ao nosso lado. O simples “bom dia” que se troca entre pessoas que não se conhecem, a amizade por quem acaba de chegar,.. enfim! É impossível descrever a quantidade de sentimentos bons que fui sentido e que felizmente consegui trazer comigo!

    Durante 21 dias fomos instalando o espírito “Junta Mon” em Santo Antão, mais precisamente na zona da Ribeira Grande. E pensar que esse espírito pode continuar sem lá estarmos torna a nossa missão mais que cumprida.

    É difícil descrever o que fomos vivendo, o que fomos sentindo, e o que trouxémos connosco... Começávamos o nosso dia junto das crianças da Ribeira Grande, com um acolhimento geral, que se seguia de um bom dia em que era contada uma história e se passava especificamente algum valor; rezávamos, e seguíamos para a atividade/s do dia, de forma a que as crianças se divertissem o mais possível. À tarde íamos para zonas altas, no meio das montanhas e daquelas paisagens de cortar a respiração, e visitávamos pessoas mais velhinhas, com doenças; famílias que estão mais longe da povoação. Em alguns dias visitámos o centro de dia, passando algum tempo com pessoas mais idosas: jogámos jogos, dançámos, cantámos,..., e também o Hospital para estar com as pessoas doentes. E houve um dia em que espalhámos a nossa fé e a nossa alegria na Cadeia situada em Ponta do Sol.

    Pôr em palavras o que fomos vivendo lá, repito, é praticamente impossível. Chegámos a Santo Antão prontos para dar o melhor de nós, e saímos de Santo Antão com o melhor deles, e isso é que é incrível. Conhecemos pessoas espetaculares do grupo de jovens que nos foram acompanhando e um obrigada não chega para tudo o que nos passaram e tudo o que vivemos com eles. Ganhámos muitos e bons amigos!

    Das coisas que mais me marcaram foi quando íamos à tarde a zonas com menos acessibilidade, ou aldeias que não estão tão perto da povoação. Lá as pessoas podem estar acamadas há 7 anos, com condições que para nós são miseráveis, com cuidados mínimos, mas, e mais importante de tudo: são felizes. São felizes e agradecidas do fundo do coração. E isso é uma lição para todos nós: estar agradecidos com o que temos e saber que démos o nosso melhor e que continuamos a espalhar amor durante toda a nossa vida.

    Foram 21 dias que não consigo explicar. Voltei de coração cheio. Cheio de amor, cheio de sorrisos, cheio de abraços daqueles miúdos incríveis. Cheio do toque de mãos velhinhas que nos agradeciam estarmos alí, cheio de amizades criadas, cheio de experiências, cheio de sentimentos novos que fui (re)descobrindo, cheio de imagens e memórias de uma ilha que já deixa saudade, cheio de tudo que não dá para contar.

    Um grande, grande obrigada a todos os que ajudaram a que esta missão fosse possível. E em especial a todas as pessoas que nos acolheram lá, à tia Amélia que tão bem tratava de nós e que tinha umas mãos mágicas para a cozinha; ao Padre Adriano; aos diáconos; ao grupo de jovens, especificamente à Aida, ao Calú, ao Valdir; ao Padre Juan que nos aturou  todos os minutos e que foi uma grande surpresa; e finalmente ao meu grupo espetacular de missão, no qual descobri amigos que irão ficar, onde reforcei amizades, e onde, todos juntos criámos o espírito “Junta Mon”.

    Deixámos um bocadinho de nós com eles, e certamente trouxemos um bocadinho deles connosco, no nosso coração. E junta Mon (União) foi e é mesmo isso.

    E a borboleta bate as asas cá e muda coisas lá. E vai lá, bate as asas lá e muda coisas cá. O maior desfafio é que esta viagem não seja uma viagem que foi feita e acabou por aí. Se aplicarmos coisas cá, quem sabe as mudanças não cheguem lá? E tão ou mais importante, as coisas que fomos fazendo e sentindo lá... quem sabe não se manifestem por cá?

  • Alexander Figueira - Missão Junta Mon

    by Vanessa Santos | jan 26, 2017

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    É de mãos juntas ou em crioulo "junta mon" que quero começar este testemunho.

    Cheguei à ilha de Santo Antão, em Cabo Verde, cheio de entusiasmo do que viria pela frente sem ter o controlo total do quê e como se ia passar, bem como comigo trazia um coração aberto para receber sem esperar nada em troca, creio que foi o meu cartão de visita à entrada de uma terra tão exótica como amável.

    Saber acolher decompõe o como podemos amar e é vital no sucesso da integração de grupos, de culturas, de história, de religião, e acima de tudo de pessoas. Deparamo-nos com um acolhimento que já nos estranha, mas entranha, aquela simplicidade de dar tudo o que se tem e em que valor deste dar se transforma em qualquer coisa de incalculável, pela forma como nos é apresentada.

    No mínimo inesquecível o que se passou, ou como título da música mais balada entre nós, amor inesquecível. A atenção da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário para connosco, na freguesia de Ribeira Grande, se transformou em mãe. Os pratos típicos da região, o carinho com que era preparado, a companhia da dona Amélia, a cozinheira, fez com que esta experiência se tornasse calorosa.

    O campo de ação foi distribuído na disponibilidade para chegar aos jovens na parte da manhã e à tarde irmos até às localidades mais distantes, visita aos presos, aos doentes e aos idosos em situação de vida precária. O que retiro desta experiência de atuação nas várias faixas etárias é essencialmente uma: fomos concebidos para amar e ser amados. Quando semeamos isto, o fruto é qualquer coisa de extraordinário.

    A gratidão é pouca para tanto receber daqueles jovens, que nos abraçavam com grande espontaneidade, sorriam, chamavam o nosso nome com tanto vigor que parecia que éramos já grandes referências na vida deles. A alegria demonstrada pelas pessoas de uma faixa etária menos jovem, pelo simples fato de estarmos presentes, ouvi-las, cantarmos e animarmos a vida insólita que atravessam, fazia-se presente também em nós. No tão pouco que se dá, podemos fazer muito! Mais que acreditar nisto é viver efetivamente cada letra desta frase. Especificamente uma mãe de uma criança chegou-se ao pé de mim no final da missão, com os olhos regados de brilho fulminante, a dizer que o seu filho queria vir para Portugal comigo e que este andava muito animado em casa, por tudo o que ele tinha vivido connosco, quando tinha passado por momentos de pacatez e silêncio prolongado em casa, situação que parecia alarmante para aquela mãe. Foi no abraço dela que me apercebi, do apreço que ela queria transmitir.

    Regressar a uma Europa e a um país que representa também uma terra de missão e de evangelização nos dias que correm. Desafiante será colocar no quotidiano toda esta simplicidade de caridade para com o próximo, sem esperar nada em troca. É com este desejo, de dar continuidade à missão de Cristo na vida que me revejo, assumindo o propósito de vida: amar sempre mais, e que foi sonhado por Deus a cada um de nós.

    Se não custa viver, mas sim saber viver. Termino reforçando com 3 palavras ditas por uma senhora ceguinha na visita a uma localidade no cimo da montanha: sejam Humildades, lutem pelos "estudos", e coloquem tudo nas mãos de Deus.

    Um agradecimento especial a duas pessoas que para além de terem entregue a sua vida ao ministério sacerdotal, vivem e têm de dizer SIM todos os dias a este chamado de Deus, são eles o Pe. Adriano e ao Pe. Juan sdb. A eles com apreço destaco o papel de um lado de integração com a comunidade e por outro de orientação e desenvolvimento do grupo Junta Mon enquanto missionários.

    Quia omnis grato !

  • Danise Caetano - Moçambique

    by Vanessa Santos | out 24, 2016

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    É impossível descrever por palavras o que experienciei num mês. Poucas palavras existem no dicionário para tamanha realização que sinto neste momento. Eu já sabia que ia adorar mas, de facto, superou as expectativas. Só quem vive e lida com a cultura africana sabe o que estou a tentar transmitir. Por mais que tente agradecer a maravilhosa experiência que me foi concebida, acredito que o agradecimento deles por ter alguém que lá esteve a ajudar seja maior. Faz parte deles, agradecer cada minuto de vida. Porque ali, cada segundo de vida merece ser comemorado! Sem pressas, sem preocupações. Apenas deixar ir e fluir. Outra coisa que de facto me surpreendeu: não há horas! Não há horas para nada. Não se vêm relógios em lado nenhum. Ao fim do segundo dia, também eu me senti mal com o meu relógio de pulso e decidi tirá-lo. Porque para dar e receber amor, não é preciso tempo que o cronometre. E foi assim, dia após dia que fui aprendendo a integrar-me nesta tão doce cultura. Repetia, mais que uma vez! Voltava a fazer tudo de novo. E, da próxima vez, sem sequer levar relógio.

  • Inês Pinheiro - Missão Cretcheu

    by Vanessa Santos | out 21, 2016

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    Coração cheio. Foi o que senti quando, no dia 27 de Agosto, deixei, mais uma vez, a minha casa, na Boa Vista.

    Agora, dois meses depois de ter regressado a Portugal, o sentimento continua a ser esse: coração cheio e a transbordar de alegria pelo mês vivido em missão.

    Estando cá, continuo a viver esse mês através das fotografias, dos vídeos, das músicas... Uma tentativa de voltar atrás no tempo e de regressar ao calor, aos sorrisos fáceis, ao amor dos abraços apertados e dos beijos, às brincadeiras de mar, à simplicidade dos dias.

    Depois de cinco anos, depois de cinco missões, já não há muito mais que possa escrever. As palavras e os sentimentos repetem-se, as saudades mantêm-se e a vontade de continuar a voltar permanece.

    Mas este ano foi, sem dúvida, especial. Tive o presente de ser madrinha do Eddy e do Edmilson! Um laço criado para sempre com aquela terra e que me encheu o coração de uma alegria que não dá para explicar. O "não fui eu" do Eddy e o jogo de matraquilhos do "bebé" são memórias do primeiro ano e às quais se foram juntando tantas outras. Poder agora chamar-lhes afilhados é um enorme orgulho! Obrigada, Jany, nha comadre. Obrigada pelo voto de confiança, por me teres entregue assim os teus filhos. Agora, os três são família, sem qualquer dúvida!

    Este ano, tive também a enorme sorte de receber os meus pais na Boa Vista e de lhes poder mostrar o meu mundo: apresentar-lhes os meus amigos, as minhas crianças, a minha casa, a minha família, a minha terra. Poder partilhar com os meus pais todo o amor que recebo em missão foi espectacular! E também eles puderam receber um pouco desse amor das duas vezes que se juntaram ao Campo de Férias e das duas vezes que foram comigo ao bairro. Numa tarde, depois de uma ida à praia com as crianças da vila, a minha mãe admitiu com alegria no sorriso: "agora percebo porque queres sempre voltar. Como é que é possível não querer voltar para isto?".

    Depois de terminada a missão, só tenho a agradecer a Deus por tudo aquilo que me proporcionou este ano. Mais uma vez fui lá para dar e o que recebi em troca foi muito maior!

    Haveria muito mais para dizer, porque há muito mais para relembrar e sentir, mas o coração aperta-se e as palavras não saem. A única partilha que sou capaz de fazer é: não dá para explicar sem viver, mas vale a pena ir, vale a pena "trocar o certo pelo incerto", porque quando se volta traz-se mesmo o coração cheio!

  • Vanessa Santos - Missão Mi Ma Bô

    by Vanessa Santos | set 27, 2016

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    Desafia-te. Amar ao Infinito”. Este foi o lema que levámos em missão, mas rapidamente percebemos que seria a juventude da cidade da Praia quem nos iria ensinar a vivê-lo no nosso dia-a-dia.

    Durante o nosso tempo de missão tivemos o desafio de sentir o que estas crianças e jovens sentem todos os dias. A sensação de dormir e acordar sem saber o que nos pode acontecer. A dificuldade de acesso à água e necessidades básicas. A pressão para trabalhar e dar tudo o que temos, mesmo quando estamos a precisar de um sorriso que nos diga “tá tudo drêto” (está tudo bem).

    Mas tivemos também o privilégio de aprender a rir como elas, como nunca rimos antes. De partilhar momentos de amor e carinho, sem igual e sem explicação. De rezar e vencer todas as adversidades em equipa, para conseguirmos dar a estas crianças tudo o que temos de melhor.

    Conseguimos ver as nossas preces a tornarem-se realidade e a semear sementes de esperança e novos sonhos. Ficando agora com saudades dos seus sorrisos e abraços, dos seus olhares e gestos de ternura, das suas canções e alegria.

    Agora que estamos em Portugal apercebemo-nos que há um pouco de nós que ficará para sempre em Cabo Verde.

  • Sara Silva - Missão Junta Mon

    by Vanessa Santos | set 23, 2016

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    Foi no dia 7 de Agosto que parti, juntamente com todo o grupo “Junta Mon”, para uma inesquecível missão de voluntariado em Cabo Verde. Sinto que é difícil descrever por palavras tudo o que vivi ao longo destas três semanas, pois serão sempre poucas para expressar as maravilhas que encontrei e que recebi!

    Parti para esta missão com uma certeza: ia disposta a dar o melhor de mim, ia de coração disponível e aberto a tudo o que pudesse encontrar, mas hoje posso dizer que vim de lá com o coração cheio e que recebi muito, mas muito mais do que aquilo que dei.

    Chegamos a Santo Antão no dia 8 de Agosto e foi com enorme alegria que pisei o chão da ilha que iria ser a nossa casa nos próximos vinte dias. Como foi bom sentir que tinha chegado aquele momento tão esperado, o momento de pôr “mãos à obra” e de viver esta missão em cheio!

    Desde logo e ao longo de toda a missão marcou-me muito a humildade, a simpatia, a generosidade e a alegria deste povo que do pouco que tem nos disponibilizou tudo e me ensinou o valor do verdadeiro acolhimento, pois não é preciso muito quando em tudo se põe amor.

    Nunca irei esquecer a alegria com que todas as manhãs eramos recebidos por dezenas de crianças que corriam para nós de braços abertos e nos desafiavam a cada dia a darmos mais e mais. Sorrisos alegres, simples e genuínos que me davam força e que dia a dia me faziam acreditar que no amor e simplicidade de uma criança se pode encontrar tanta razão para viver. Com elas aprendi como é fácil fazer alguém feliz com um simples mas verdadeiro abraço, com um simples mas verdadeiro sorriso, como é fácil amar! São crianças que chegam e conquistam logo o nosso coração, com olhares e sorrisos que só por si já falam.

    Sinto que foi uma missão bastante completa e que me ensinou muito, pois para além da alegria de estar com as crianças, tivemos a oportunidade de ir às zonas de mais difícil acesso, e por isso, também mais pobres. Nestas zonas encontrámos verdadeiramente em cada doente e em cada idoso o rosto de Jesus. São pessoas que não têm quase nada a nível material e muitas delas estão sozinhas, doentes e sem poder nada, porém todas elas têm algo em comum e mais valioso que tudo, têm a maior riqueza do mundo, pois têm Deus no coração e, por isso, uma alegria e uma paz contagiante. São pessoas que me ensinaram os verdadeiros valores e aquilo que realmente é importante na vida, pois “que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?”. Elas rezam independentemente da situação, elas estão felizes, porque viveram uma vida simples mas completa naquilo que é essencial, elas viveram para Deus. Por tudo isto as suas histórias de vida tornaram-se para mim tão inspiradoras!

    Para mim há uma frase de Madre Teresa de Calcutá que traduz bem aquilo que procurei dar a todas estas pessoas, assim como penso que traduz também a missão de todo o grupo: “A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria, não lhes proporcioneis apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração”. Foi realmente isto que procuramos levar: alegria e o nosso coração, apesar de todos os dias sentir que foi este povo que me ensinou o que é a verdadeira alegria, o verdadeiro amor, o verdadeiro caminho para ser feliz.

    Além de tudo isto, tivemos a oportunidade de ir visitar os idosos ao centro de dia, os doentes ao hospital e os presos à cadeia, que ficavam todos muito felizes com a nossa chegada; e nós continuávamos a aprender e a receber mais inspiração, mais alegria, mais amor, pois nós dávamos sorrisos, mas recebíamos a alegria de ver outros muitos mais sorrisos, e o evangelho continuava a fazer-se vivo: “E quando te vimos enfermo ou a prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”.

    A eucaristia diária foi também um momento especial, pois era ali que todos os dias escutávamos a Palavra de Deus e me apercebia que Ele nos falava e nos acompanhava ao longo da missão, a Palavra dirigia-se a nós!

    Nunca irei esquecer o grupo “Junta Mon” e todos os momentos de alegria que passámos juntos, pois unidos tenho a certeza que fizemos muita gente feliz e conseguimos dar o melhor de nós aos que mais precisavam, porque juntos somos mais fortes. Um grupo que cresceu ainda mais quando os fantásticos jovens desta ilha se juntaram, desde início, a nós e também eles decidiram abraçar esta aventura. Para cada um em especial vai o meu muito obrigada, por partilharem comigo esta experiência e a tornarem inesquecível.

    É, também, impossível esquecer as pessoas que se cruzaram connosco ao longo destes vinte dias e que, com muita generosidade e simpatia, deram todos os dias o melhor de si para esta missão, muito obrigada!

    Ainda pouco tempo passou desde que regressei a Portugal e já estou com muitas saudades e com vontade de regressar de novo para junto daquele povo que tão bem nos acolheu. Talvez um dia possamos ir outra vez e fazer novamente felizes tantas crianças que nos pediram para voltar…porque a missão, essa continua aqui, saibamos nós cumprir com alegria a missão que Deus nos confia a cada dia!

  • Mariana Francisco - Missão Junta Mon

    by Vanessa Santos | set 23, 2016
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    Tantos são os significados e sentimentos que esta missão deixou! Significou o voltar a contactar com o espírito Salesiano, que em criança me fez tão feliz e nunca consegui esquecer. Não consigo transmitir por palavras a emoção e os sentimentos que tenho dentro de mim.

    A fim de outros poderem vivenciar este espírito quis partir nesta missão.

    A ilha da nossa missão, Santo Antão. Uma ilha com paisagens deslumbrantes com uma população linda. Nesta ilha foi possível sentir a bondade, simpatia e amor das pessoas. Fomos acolhidos de uma forma extraordinária. Estou muito grata por  todo o carinho e bondade.

    Nas populações mais isoladas, encontramos idosos doentes, em situações difíceis e tocantes, mas foi muito emocionante poder ouvir e sentir a enorme bondade que têm dentro deles. Impressionou-me não escutar lamentações, reclamações  ou  protestos,  mas  sim  ver a felicidade, o sorriso e a vida que transmitem no olhar. É muito inspirador e desafiante.

    O grandioso sorriso do Patrick! Ao visitar a povoação de Mão para Trás, deparei-me com um menino, que sempre esteve fechado a um sorriso, em interagir e aparentava impossível perceber-me... Fiz- lhe um enorme sorriso, pedindo para fazer o mesmo (de forma bastante caricata) e assim de um momento para o outro se transformou, de dentro de um menino assustado surgiu um sorriso, seguido de muitos outros. Este foi sem dúvida um momento marcante para mim, tão difícil de conquistar, mas muito caloroso.
     
    Desta missão trouxe um coração cheio de sorrisos, abraços, novas amizades e tantos momentos inesquecíveis.

    “E a vida não vai parar / Vai com o vento / Tens tudo a dar / Não percas tempo
    / Podes saber que vais chegar / Onde Deus te levar” [Excerto: Onde Deus te Levar de Schoenstatt]
     
  • Mariana Gonçalves - Missão Junta Mon

    by Vanessa Santos | set 23, 2016
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    O que dizer dos vinte e dois dias que passei em Cabo Verde?

    A cada dia uma novidade, um rosto novo, um sorriso novo. Fomos tão bem recebidos. Adultos, jovens e crianças acolheram-nos tão bem que rapidamente sentimos que aquela era a nossa casa e a nossa família.

    Dois dias depois de chegarmos a Ribeira Grande começámos as atividades. As manhãs eram passadas em atividades com as crianças e jovens da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário. Alegria, diversão e sorrisos não faltavam. Cada canção, jogo ou brincadeira estavam repletos de amor e dedicação, tanto da nossa parte como das crianças e jovens. A felicidade era visível e sentida. As tardes eram passadas entre o hospital, o lar, a cadeia ou as localidades mais distantes da povoação e, também aqui, se sentia o carinho e a alegria daquela gente. Apesar de todas as limitações, tanto físicas como materiais, sentíamos ternura, afeto, fé e esperança. E tudo isto nos fazia esquecer o cansaço e as dificuldades que também se fizeram sentir. 

    É difícil explicar tudo aquilo que recebi e aprendi com esta experiência. Levámos malas cheias de materiais para dar, no entanto, no regresso, parecia faltar espaço para as saudades e o amor que tínhamos no coração. Como tantas vezes dissemos quando lá estávamos, pensamos que vamos mudar a vida das pessoas, mas é o que sentimos, a nossa visão do mundo e a nossa vida que se alteram. 

    No coração ficam os sorrisos, os beijos, os braços abertos, os conselhos e o amor imenso de novos e velhos. Ficam também as amizades que fizemos dentro do grupo e com os jovens da Paróquia. 

    Regresso com uma enorme vontade de continuar esta missão. Espalhar a fé e o amor de Deus, dar mais, servir mais, fazer sempre o melhor. 

    Obrigada a todos! Fui muito feliz em Ribeira Grande. Foi inesquecível! 
  • Sónia Cardador - Missão Amorevolezza

    by Vanessa Santos | set 23, 2016
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    Sair de mim e ir de encontro aos outros…

    É essa a necessidade que cada vez sinto mais na minha vida. Preciso de me dar aos outros e deixar de me centrar em mim e nos meus problemas que afinal não apenas coisas insignificantes comparadas com os problemas que vou encontrando nas minhas experiências.

    Há dois anos fiz, pela primeira vez, a experiência com a qual há tanto sonhava!!!! Parti para a ilha de Santiago juntamente com a Missão aFEto. Foram três semanas de intensa vivência, onde dei tanto, mas recebi muito mais do que imaginava. De tal forma que não consegui retribuir o que recebei. A experiência foi tão intensa e tão rica que, ainda lá estava e já estava dizer que queria voltar. Assim foi. Passados dois anos, voltei à ilha de São Vicente. Integrei a Missão Amorevolezza. Escolhemos esta palavra para dar nome à nossa Missão porque, apesar de ser uma palavra sem tradução direta para o português, encerra nela toda a essência da nossa Missão e do nosso objetivo. Um dos pilares da educação de Dom Bosco é, sem dúvida, a amorevolezza. Ou seja, o carinho, a amizade, o afeto que podemos e devemos dar às nossas crianças. Pois bem!!! Era isso mesmo aquilo que queríamos levar àqueles jovens e àquelas comunidades. Parti com um grupo de jovens bem mais novos do que eu e tivemos a melhor companhia salesiana que podíamos desejar, a Irmã Lídia. Sendo oriunda de Cabo Verde, ela foi muitas vezes, os nossos olhos e a nossa guia nesta Missão.

    Quis conhecer uma ilha diferente. Apesar de estar no mesmo arquipélago e no mesmo país, encontrei uma realidade completamente diferente a todos os níveis. Encontrei uma cidade, Mindelo, muito bem organizada, limpa, com um ritmo muito parecido ao de uma cidade europeia. Depois, quando fomos trabalhar para as comunidades, primeiro a comunidade de São Pedro, encontramos crianças e jovens já habituados às dinâmicas missionárias, pois já tinham recebido outros grupos de voluntários em anos anteriores. Curiosamente foi uma comunidade que nos acolheu calorosamente. Onde, ainda que, por vezes, tivéssemos de organizar os grupos para as atividades ou por ordem nos trabalhos, eram crianças tranquilas, sem necessidades aparentes ao nível da nutrição. Percebia-se que havia, na maior parte dos casos, uma estrutura familiar e fui encontrando inclusive, alguns jovens muito bem-educados e formados que nos mostram que, para sermos grandes seres humanos não precisamos de ter grandes casas ou grandes carros. Basta sermos nós. São crianças que, assim que chegamos, vêm ter connosco, como se nos conhecessem de todo o sempre e que se entregam de alma e coração a todas as coisas que nós levamos para eles como se fossem tesouros que lhes entregamos. É fabuloso ver como aceitam o que lhes ensinamos (ainda que coisas banais como construir um instrumento musical com material reciclado ou como lavar as mãos) como o bem mais precioso para as vidas deles. Depois há aqueles que nos marcam profundamente e que nunca mais esquecemos como foi o caso de uma menina de cerca de dois anos, a Arine. No último dia, adormeceu ao meu colo na eucaristia…

    Fomos depois para Calhau, povoado mais interior e disperso. No dia em que fomos fazer o reconhecimento da zona para começarmos a trabalhar na 2ª feira seguinte, encontrámos poucas crianças e, todas elas trabalhavam ou carregavam bidões de água. Era uma comunidade onde nunca tinha estado nenhum grupo de voluntários. Por isso, fomos os percursores lá. Na 2ª feira apareceram 50 crianças e algumas jovens de 17/18 anos que foram uma ajuda preciosa para as nossas atividades. Nesta comunidade aconteceu magia!!!! Encontrámos crianças meigas, dóceis, calmas, tranquilas, sempre ordenadamente à espera das nossas indicações, sedentos de aprender tudo o que nós levávamos para lhes ensinar. Percebemos que é também uma comunidade bastante estruturada ao nível das famílias, onde o número médio de filhos, por norma, não ultrapassava os 3. Percebia-se a preocupação das mães e avós que nos acompanhavam em ver se as suas crianças se estavam a “portar bem”. Fizemos uma festa de despedida fantástica, com direito a coreografia e representação de teatro. Aqui aprendi que, independentemente de se viver no campo ou na cidade, de se ter muito ou pouco, há partilha, há preocupação, há vontade de aprender. Tive pena de estar nesta comunidade apenas uma semana, pois senti que têm muito mais para ensinar e também para aprender. Deixamos algumas jovens incumbidas de tentar continuar o pouco que lhes ensinamos para tentarem fazer daquelas crianças melhores jovens para o amanhã. Recordo-os a todos no meu coração com as já muitas saudades que sinto.

    Quando lá cheguei senti que o meu coração voltou a encaixar como uma peça encaixa no puzzle. Sinto que é ali que pertenço, não a Cabo Verde ou a qualquer outro país em particular, mas sim a uma vontade maior de ajudar e de aprender com pessoas muito mais ricas do que, não em dinheiro ou bens materiais, mas em dignidade, em amizade, em carinho e numa vivência muito mais rica e extraordinária do que aquela que vivo no meu dia-a-dia, segura de que voltarei em breve a um qualquer lugar onde sinta que volto a encaixar, quem sabe se para sempre…