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  • Sandra Rodrigues - 2010

    by Vanessa Santos | Jan 28, 2015

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    Ao longo de um ano é expectável que se somem aventuras. Assim foi, de facto, e os trabalhos foram-se sempre multiplicando, bem ao gosto de Dom Bosco: “Trabalho, pão e paraíso!”. Todavia, com a graça de Deus e a inspiração do mestre, tudo se foi realizando com serenidade e consciência de que a vida em África é um constante desafio psicológico, emocional e mesmo físico. É um lugar onde pode morrer-se de tudo… menos de tédio! Um espaço onde somos confrontados com o bom e o mau no mesmo momento. Por isso, é um mundo que podemos amar e detestar num único dia, onde o repto vai desde responder com inteligência à constante corrupção, até aceitar uma cultura tão diferente e, tantas vezes para nós, inexplicavelmente cruel, principalmente com as crianças, doentes, mulheres e idosos. Devemos conseguir lidar com as incomensuráveis clivagens sociais, com a indiferença dos governantes, com a própria pobreza de espírito que grassa no seio das comunidades mais carenciadas e torna a pobreza ainda mais atroz, até estarmos aptos a responder aos constantes desafios da própria natureza, onde os caminhos dos homens e dos animais estão tão próximos e tão facilmente se cruzam, a ponto de, às vezes, encontrarmos répteis venenosos na nossa própria casa! Ou vermos as nossas culturas destruídas por um qualquer hipopótamo que aprecia prazerosos passeios e comezainas nas nossas machambas. Mas é assim a África…dos sonhos e dos pesadelos! África de todos os paradoxos! E, talvez por isso, um sítio ideal para trabalhar em missão. Ali, onde é realmente necessário unir esforços, pois que a salvação dos jovens impele à união de esforços, e a labutar pelo bem comum e para a nossa própria salvação.

    Nesta terra mística e de beleza indescritível, aprendi muita coisa, especialmente por ter estado entre gente simples e boa que me apoiou e ajudou a ajudar. O voluntariado é, certamente, uma experiência irrepetível de espiritualidade de cada um; e o voluntariado evangélico é, antes de mais e essencialmente, a auto-conversão e não a conversão dos outros! É um tempo de reflexão, de oração, de vida sacramental e de meditação. Viver como salesiana foi uma experiência única e de forte espiritualidade, que me deu a oportunidade de “despir-me” de todas as vaidades e, com simplicidade, levar o nome de Deus e de Dom Bosco um pouco mais além, contribuindo para a promoção do ser humano. Assumindo este compromisso e com o carisma salesiano, pude ensinar! Não apenas Português, mas acima de tudo educar para os valores da entrega e da gratuitidade. Penso que com o meu humilde exemplo, pude fazer nascer alguns sorrisos, promover a equidade social e a sustentabilidade, através dos projectos de alfabetização, informatização e até de agricultura e pecuária – aos quais me dediquei de corpo e alma, literalmente, trabalhando na machamba e vendendo os nossos produtos no mercado, para assim ajudar a dar de comer aos nossos rapazes mais carenciados e internos.

    Ao longo deste ano, pude, mais do que em qualquer outra ocasião na minha vida, “conhecer” Dom Bosco e amá-lo ainda mais, pois só se ama verdadeiramente o que se conhece. Mas tal experiência implica necessariamente a disponibilidade pessoal para servir os outros, fazê-lo com gratuitidade e liberdade pessoal para pôr de lado o nosso egoísmo, até nas pequenas coisas, e seguir o coração… qual Buzzetti! Estou convicta de que o carisma do voluntário salesiano está longe daquele do tradicional voluntário “leigo”, muito embora este perfilhe também fortes valores de entrega pessoal e de amor – inerentes à própria condição de voluntariado. Todavia, o facto de termos como objectivo central a salvação da juventude, dá-nos um alento extra, pois os jovens são a promessa de um mundo melhor, a base da mudança social e de mentalidades. Assim, o nosso trabalho é extraordinariamente gratificante, pois sentimos que estamos, verdadeiramente e como instrumentos de Deus, a construir a paz e a reconciliação em África.

    Com esta experiência, talvez não tenha mudado o mundo, mas eu mudei certamente! Aprendi a SER - Ser+! Daí a minha incomensurável e eterna gratidão à Congregação Salesiana, aos Salesianos de Portugal e aos Salesianos de Moçambique, especialmente à minha amada família da comunidade salesiana de Moamba, aos quais ficarei ligada por laços fortes para toda a minha vida e a quem visitarei sempre que tiver oportunidade.

    Infelizmente, a minha idade (já a caminho dos 37 anos), entre outros factores, levaram-me a ponderar e decidir deixar o voluntariado, por agora, a fim de poder, de alguma forma construir e assegurar profissional e financeiramente o meu futuro. Porém, está nos meus planos e se esse for o plano de Deus para mim, voltar a abraçar a causa do voluntariado e da entrega gratuita a valores mais altos. Mas, para já e atendendo à minha formação superior em Arqueologia e possuindo um curso de mergulho, arranjei trabalho numa empresa de arqueologia subaquática a laborar na Ilha de Moçambique. Lá, naquele que foi o primeiro porto onde os nossos grandes portugueses trouxeram a magna Língua de Camões e também a primeira capital do país – hoje Património Cultural da Humanidade. Uma terra verdadeiramente paradisíaca e mágica, também o primeiro lugar onde, em 1907, chegaram os salesianos e mantiveram uma escola durante largos anos. Estou bem e a realizar um trabalho de que gosto e que me permite manter acesa a chama do espírito de Dom Bosco, pois no meu trabalho estão incluídos programas de formação profissional para desempregados e gente muito carenciada da Ilha. Acredito que “uma vez salesiana, para sempre salesiana!”.

    Agradeço também a Deus e a Nossa Senhora Auxiliadora por iluminarem o meu caminho e derramarem sobre mim a luz da Sua protecção. Que maior recompensa me poderiam dar senão encherem o meu coração de Luz e Amor?! No final desta minha experiência de voluntariado missionário salesiano, a palavra que mais ressoa no meu espírito e faz eco no meu coração é, indubitavelmente, GRATIDÃO! Obrigada!

  • Maria José Silva - 2010

    by Vanessa Santos | Jan 28, 2015

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    Mais um ano escolar terminado, mais uma temporada em Moçambique. Partir já se tornou um hábito. Regressar uma necessidade. Estar com as gentes, um modo de vida. Passar as férias cá deixou de fazer sentido. Entregar um pouco do meu tempo aos outros passou a fazer parte de mim, da minha maneira de ser, de estar, de sentir…

    Dia 10 de Julho, ao entrar no avião que me levaria uma vez mais a Moçambique, para aí passar cerca de 50 dias, lembrei-me do verso de Fernando Pessoa "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce". E foi com este espírito que voltei a pisar solo Moçambicano. Não fazia muito calor, como das outras vezes e algumas aventuras fizeram parte dos meus primeiros dias. Senti que estava a viver uma experiência diferente, apesar de estar no mesmo país. Senti que tinha que entrar no espírito da missão, caso contrário não valia a pena estar ali.

    As três primeiras semanas, passadas em Maputo, no Instituto Superior Dom Bosco, num trabalho técnico, da minha área de formação, serviram para concluir os projectos dos manuais de Português para o Ensino Profissional da Rede Salesiana. Estes foram, depois, apresentados nas três Escolas Profissionais, experiência muito rica, pois desloquei-me à Moamba (70 Km de Maputo), a Tete (1600 Km da capital) e Inharrime (420 Km de Maputo). A vivência, no seio das escolas, no meio dos alunos, participando no Bom-Dia, em algumas actividades, por entre os professores em diálogos/formação que nos fizeram trocar de saberes, a vida em comunidade, em cada casa por onde passei, torna a minha passagem por solo moçambicano uma experiência cada vez mais rica e faz com que o desejo de voltar seja cada vez maior.

    Maputo, uma cidade em constante crescimento, mas onde os contrastes continuam muito visíveis.

    Tete, uma vez mais o reencontro com uma realidade muito diferente da grande capital. Os embondeiros continuam com a sua imponência, a terra vermelha e seca, onde a vida nem sempre é fácil! Na Escola Profissional Dom Bosco trabalha-se muito, estuda-se com afinco e com gosto, pois os alunos e os seus formadores acreditam que têm que mudar o rumo das coisas. Estar entre eles é como uma lufada de ar fresco para a minha alma. Perceber como vivem, como sentem cada dia que passa, ainda que por vezes com dificuldades, é cada vez mais enriquecedor para mim. Sempre que podia estava no meio dos alunos, ria com eles, falava com eles ou, simplesmente, escutava.

    Inharrime, a primeira experiência. Ao longo de uma viagem de autocarro, de cerca de 7 horas, fui apreciando uma paisagem onde predomina o verde, onde os coqueiros parecem cogumelos e, ao longo da estrada, fervilha a vida. Há vendedores por todo o lado, procura-se uma saída para os muitos problemas. A minha ida a esta localidade e escola tinha dois propósitos: o contacto com os professores de Português, um pouco de formação, mas também a entrega do dinheiro que foi angariado na Escola Básica 2/3 Comendador Ângelo Azevedo - São Roque, na Escola Básica e Secundária Ferreira de Castro - Oliveira de Azeméis, bem como na minha paróquia, num total de 2000 Euros. Este fruto do empenho dos alunos, professores, assistentes operacionais, amigos e familiares (a quem dirijo um BEM HAJA!) foi entregue ao director da Escola Profissional Domingos Sávio que, emocionado, referiu ser um precioso auxílio, numa região tão carenciada, onde os alunos não conseguem fazer uma refeição diária e, muitas vezes, para obter um pouco de arroz, fazem pequenos trabalhos na escola ou fora dela. Doeu ver que uma parte destes jovens vive em palhotas, ao lado da escola, sem energia, nem água. Não têm camas, dormem em esteiras. Portanto, não vivem como nós. Sobrevivem. Vê-los chegar, pela manhã, de sorriso nos lábios, fez-me perceber que a minha, a nossa missão deve continuar. A ajuda será canalizada em vários sentidos, desde a aquisição de material, ao auxílio na alimentação. Não podemos parar. No regresso, a viagem durou 8 horas. Sempre que o "machimbombo" parava, entrava alguém a sorrir, carregado de sacos de fruta, comida, molhos de mandioca, galinhas e tudo o que aqui não podemos imaginar.

    De regresso a Maputo, a última semana foi passada uma vez mais no Instituto Superior Dom Bosco, a rever a parte do Português do Regulamento Interno desta Instituição de Ensino Superior, trabalho que partilhei com um padre Espanhol que se desloca a Moçambique, nas suas férias, há 19 anos! Parte do trabalho ficou concluída, mas ainda teremos um longo caminho a percorrer cá, com os Manuais de Procedimentos dos vários Sectores e Departamentos.

    Houve também oportunidade para estar com os jovens e as gentes das paróquias onde os salesianos intervêm, nos bairros periféricos do grande Maputo. Visitei comunidades de bairros muito pobres, onde a maior parte das pessoas sobrevive com cerca de 50 Euros por mês, onde as escolas estão cheias de crianças (uma turma tem entre 50 a 60 alunos), onde nem sempre é fácil aprender por faltar tudo: mesas, cadeiras, material escolar, alimentação. Também visitei alguns lugares mais parecidos com a nossa realidade. É aí que sentimos alguma "revolta" pelas diferenças encontradas: uns com tudo, outros com quase nada. Muitas vezes, de um lado da rua encontra-se o paraíso, do outro, o inferno. E apetece-me gritar "PORQUÊ?". Mas ninguém me escutaria.

    Por isso, fica o convite, mas também o desejo e a necessidade de voltar. De partir, e de estar com um povo que tem tão pouco, mas tanto para dar. Cada experiência é única. É mais um degrau que subo na escada da minha vida. Sinto a necessidade de ir deixando pequenos grãos, que um dia podem dar frutos. Claro que não posso agir sozinha e conto, uma vez mais, com o apoio das duas escolas que iniciaram este pequeno projecto de Apadrinhamento.

    Termino com a famosa frase de Martin Luther King: "I have a dream". E quero continuar a partir, para estar com aquela gente que me acolhe de braços abertos e de sorriso largo.

    Moçambique está no meu coração e o meu coração está em Moçambique.

  • Maria José Silva - 2007

    by Vanessa Santos | Jan 28, 2015

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    Ser voluntária e partir como voluntária missionária “ad gentes” sempre foi algo que pairou na minha cabeça e no meu coração durante muito tempo.

    Não o concretizei antes por falta de maturidade, de preparação/formação ou, simplesmente, por egoísmo. Quem sabe? No entanto, sempre que ouvia testemunhos de quem tinha estado ou estava em terras longínquas de missão, levando o pão que sacia o estômago, mas também o pão que sacia a alma, havia como que um sino a soar sobre a minha cabeça, uma voz que me chamava de longe e me dizia “Faz-te ao largo”.

    Depois de ter concretizado, cá em Portugal, alguns projectos pessoais, que faziam sentido para a minha vida e para a minha carreira, comecei a sentir que em mim se abria um vazio inexplicavelmente cada vez maior. Foi então que decidi fazer formação e partir como voluntária, em 2005 para Moçambique, durante as férias de Verão.

    Foi um dos meses mais curtos da minha vida. Com os Salesianos que me acolheram na cidade de Maputo aprendi muito, vivi momentos que ficarão para sempre gravados na minha memória e fiz um trabalho que estava de acordo com as minhas competências profissionais. No final daquele mês, uma parte de mim sentia que estava dado um passo importante. Todavia, outra parte de mim manifestava uma enorme incompletude. Não… Não tinha sido suficiente. Faltara um contacto mais próximo com as comunidades, com locais menos cosmopolitas… experiências vividas por outros companheiros de missão.

    Em 2006 voltei a Moçambique. Durante parte do ano tentei levar a cabo um projecto em que se pretendia ajudar, a partir de cá, quem está lá e necessita de tudo. Essa é a outra parte da missão, aquela em que podemos partilhar ainda que não estejamos no terreno. Tinham-me lançado esse desafio. Propus-me concretizá-lo. Queria voltar. E voltei. Nesse ano, estive cerca de três semanas na Escola Profissional da Moamba (a sul de Maputo) e três semanas e meia na Escola Profissional do Matundo (província de Tete), sempre com os Salesianos.

    Desta vez, a satisfação atingiu um grau mais elevado. Houve contacto com alunos, com crianças e jovens, com comunidades, algumas bem longe da civilização, mas com quem se aprende tanto! Contudo, como ser humano insatisfeito, e apesar de ter vivido uma experiência muito enriquecedora, ficou como que um eco que durante todo este tempo, cá em Portugal, parecia fazer toar as palavras “Moçambique” e “tens que voltar”.

    Por isso, pretendo partir de novo, uma vez mais nas férias do Verão. Mais uma partida, mais um projecto para auxiliar quem necessita, desta feita prendendo-se com apoio monetário para a alimentação dos alunos do Internato da Moamba. Parece que a minha vida já não faz sentido sem que as férias lectivas cá sejam passadas lá. Cá, sentir-me-ia inútil, sem grande rumo a dar àqueles dias, de descanso, mas também de marasmo… Lá, estou com pessoas que me trazem novo alento, uma lufada de ar que refresca a mente e a alma e me deixa com ânimo para enfrentar um novo ano lectivo. É tão diferente entrar numa sala de aula em Moçambique! É tão gratificante ver rostos e seres ávidos de saber, que nos procuram como professores, mas também como amigos, confidentes, ou as mães que cedo perderam…

    Bem que gostava de partir por mais tempo! Infelizmente, há contingências que não o permitem, por enquanto. Assim, vou preenchendo este desejo de estar do outro lado durante um mês, um mês e meio. Bem-haja àqueles que tão bem me recebem e acolhem e permitem que vá cumprindo o sonho “Partimos. Vamos. Somos” porque “Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce”.

  • João Matos - 2007

    by Vanessa Santos | Jan 28, 2015

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    Foram praticamente dois meses muito enriquecedores estes que passei em Moçambique a fazer, primordialmente, formação a professores, e também alunos, de Português na Escola Profissional Domingos Sávio de Inharrime.

    Acho que contribuí para a sua valorização cultural, mas, se calhar, foi mais o que recebi do que aquilo que dei. E o que é que recebi? Lições de optimismo perante a vida, apesar das dificuldades; lições de fé, simples, despida de convencionalismos; lições de paz e harmonia ao ritmo da natureza. Gostei de dar aulas de Português àqueles professores e àqueles alunos. Como era grande o seu interesse, apesar das enormes carências de material escolar e didáctico! Mas gostei também, e muito, de acompanhar o Pe. Miguel Angel nas suas deslocações pastorais às comunidades cristãs do mato. Que Eucaristias tão participadas aquelas a que assisti em capelas, simples palhotas mas tão limpinhas e arranjadinhas para a visita do Senhor! E as procissões de oferendas no Ofertório?... Ele eram papaias, bananas, cocos, cana-de-açúcar, amendoim, mandioca... trazidos cantando e dançando para o altar. Como na primitiva Igreja, creio eu. Enfim, não me alongo mais. Tanto haveria a contar. Pediram-me para voltar. Quem sabe? Talvez volte já para o ano, e se voltar, levarei, seguramente, na bagagem meios para combater aquelas carências de material escolar e didáctico. Já comecei a fazer campanha nesse sentido. O meu obrigado desde já a todos quantos, sobretudo no Estoril, onde trabalho na Escola Salesiana, forem correspondendo aos meus apelos.

  • Mafalda Sebastião - 2007

    by Vanessa Santos | Jan 28, 2015

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    Voltar para vos ver. Voltar para vos falar. Voltar para convosco crescer e vos ver mais crescidos. Voltar para continuar e dar mais que pudesse. Voltar para apaziguar saudades.

    Voltei. Voltei a ver-vos e a sentir a vossa alegria, a vossa beleza, o vosso percurso, a vossa evolução. Voltei a admirar a Obra Salesiana. Voltei e reencontrei-vos.

    Encontrei. Os que conhecia e novos rostos, novos sorrisos, novos espíritos que se sentiam ainda em aprendizagem na integração na sua nova família, mas que, com toda a certeza, com o carinho e a dedicação dos que vos recebem e vos acolhem, em breve sentir-se-ão em casa.

    Eu própria me senti em casa. E em família. Ser recebida de braços e coração abertos, como fui, fez-me sentir que regressava a um lar conhecido e isso deixou-me tão aconchegadamente feliz! Obrigada!

    Mais uma vez desafios, procurar o dever e o seu cumprimento, cansaços e correrias, mas uma felicidade imensa por estar aí, e um privilégio incalculável por poder tentar contribuir. Contributo formal mas necessário, que me deu oportunidade de novos conhecimentos técnicos.

    Fazer voluntariado é, acima de tudo, decidir entregar a disponibilidade, a iniciativa, o empenho e a força de trabalho, na medida que nos é possível, e oferecê-lo. Deve ser, essencialmente, a vontade de proporcionar mais, não sendo importante como, nem por onde, o que move os voluntários.

    Voltei. E voltei a sentir, que apesar de ter decidido oferecer o que pudesse, acabei por receber.

    Por isso, fecho este artigo abrindo o espírito à saudade, às pessoas, ao trabalho e àquele insubstituível amor fraterno que me ofereceram. Obrigado a todos e cá estão, sempre comigo!

  • Adriana Augusto - 2007

    by Vanessa Santos | Jan 28, 2015
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    Estive cinco meses em Moçambique. Cheguei com muita vontade de gostar e ajudar.

    No início, a sensação era de inutilidade, não sabia por onde começar e ainda menos como terminar. Mas, com o tempo, as tarefas foram-se definindo na organização e no arquivo de documentos.

    A nível de relacionamento foi mais ou menos o que esperava. Os outros voluntários depressa se tornaram amigos e as crianças de Moçambique conquistam-nos à velocidade da luz. Como as descrever?!: um olhar curioso, um sorriso de “orelha a orelha”e uma carência enorme de carinho. São o melhor daquela terra.

     Estar com os miúdos da “Sopa de Chamanculo” era a melhor parte do dia. Ainda é muito bom recordá-los a chamarem “mana Adriana” e a cantar «la toleta, mi café no chocolate, lá to-le-ta…”. As meninas da mãe Clara também deixaram saudades, sempre prontas para a brincadeira (...).

    No Gurúè, além da formação e de ajudar na reprografia, ainda pude frequentar o “Lar do Padre Luciano”, onde ajudava a entreter os quatro mais pequenos: ensinar a contar, lavar a roupa e cosê-la, jogar aos matraquilhos e às damas, tarefas muito simples, mas que as fazia com muito gosto. Tenho pena de não ter ficado mais tempo com eles.

    Regresso a Maputo para terminar os apontamentos de contabilidade e, mais uma vez, surge oportunidade de ir, na parte da manhã, às irmãs de Calcutá. Adorei. Ajudava também nas tarefas mais simples, como vestir as crianças, dar o leite aos bebés e a papa aos maiorzinhos, brincar um bocadinho e colocá-los depois a dormir.

    E o dia do regresso chegou mais depressa do que eu queria.

    Considero que tive uma experiência diversificada e positiva.Vivi muitas emoções, umas mais doces do que outras. Nas várias missões por onde passei pude ver que tentam fazer o melhor, o que nem sempre é fácil, mas ainda há bons exemplos de missionários e missionárias. Considero, também, que devia haver maior inter-ajuda entre as missões, pois todas estão ali para ajudar.

    Olho para trás e pergunto-me se aprendi ou ensinei alguma coisa. Não sei bem a resposta.

    Atrevo-me a dizer que as pessoas devem procurar ser felizes com o pouco ou o muito que têm, devem dar valor à vida que lhes é concedida, todos os dias, mesmo que lhes pareça injusta, pois o bem maior já todos temos: somos filhos de Deus e preciosos aos seus olhos. Só temos de reparar nisso, eu inclusive. Lá descobri que sou fraca e distante de Deus.

    Se ensinei? Espero que sim. Mas prefiro que a resposta seja dada pelos que me conheceram.

  • Sara Raquel Ribeiro - 2007

    by Vanessa Santos | Jan 28, 2015

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    A compreensão do mundo, do Homem, a forma como ele “respira”, se organiza, o seu dia-a-dia, não cabe e jamais caberá num editorial,  folha de um jornal ou até num canal televisivo, por mais profissionais e perfeccionistas que sejam os seus autores.

    A visão, o entendimento, a percepção das distintas realidades passa simplesmente por “Estar lá!”.

    Eu estive lá. Apercebi-me da ainda maior complexidade de toda a Natureza, sentimentos, crenças, relações, criações Humanas.

    Sinto profundamente que o rasto deixado por mim é fraquíssimo e tão ténue. O que leva a minha mochila, máquina fotográfica, o meu “diário”, o meu pensamento, personalidade, identidade, o meu coração, a minha alma... é incomparavelmente superior.

    Resta-me dizer que há cerca de oito meses atrás, parti, encaminhada pela Vida, ao encontro de uma missão em Moçambique. Torna-se extraordinariamente difícil transcrever de forma tão sucinta, aquilo que foi vivido de forma intensa e entregue àquele dia-a-dia despido de excessos, enchido irremediavelmente por crianças e jovens em busca de um rumo, que lutam com uma força que nem eles próprios reconhecem.

    Este é um “terreno” muito complexo. Moçambique é um país com tradições extremamente bem demarcadas. Para além disto o “terreno é muito amplo”... os sorrisos e simpatia dos jovens e das crianças, dos homens e das mulheres confundem-se com as dificuldades profundas. Muitos não têm que comer, outros têm o suficiente... mas aqui em Maputo, o principal problema já não é ter o que mastigar, mas sim, ter oportunidade de trabalhar e receber com dignidade; ter o privilégio de receber valores, educação, amor (sentimentos mais profundos); ter a possibilidade de estudar numa escola em que o centro seja o aluno e não o professor...

    Estou convencida de que os professores são o principal “motor” deste país, constituído essencialmente por jovens e crianças. Aí os Salesianos têm um papel fundamental e motivador... aí o seu carisma encaixa na perfeição. Não há políticos, nem polícias, nem médicos, advogados, nem pais, tios ou tias capazes de substituir o papel do professor.

    A maioria das famílias vivem numa luta diária... muitas delas não sabem o que é ter um plano concreto de vida, porque simplesmente trabalham para comer, pagar o transporte para o trabalho, pagar os estudos dos filhos... para essas famílias não há contas poupança... vivem simplesmente para o presente.

    Por outro lado, encontramos no nosso Maputo uma realidade contrária, disparamos em segundos de um oposto ao outro. Pessoas riquíssimas, sem limites de poder... um poderio doente que se sobrepõe a muitos valores que fazem parte da natureza humana, mas que se dissipam em instantes perante aquilo que controla o mundo e o coração dos Homens, o dinheiro.

    Há muito para fazer neste país, mas muito mais para aprender com estas pessoas acolhedoras, alegres e simples.

    Tive o privilégio de sentir um pouco o sabor de experimentar algumas realidades distintas.

    O meu trabalho incidiu essencialmente em auxiliar/assessorar na estruturação do departamento de ciências de administração do Instituto Superior Dom Bosco, também tive o privilégio de leccionar o módulo de introdução à gestão a alunos do ensino à distância, numa fase presencial, cujas idades variavam entre os 30 aos 50 anos e a duas turmas do ensino normal.

    Paralelamente a isto, convivi com os miúdos do lar de S. José, as meninas da Casa Mãe Clara e as crianças do Xamanculo que recebem diariamente uma refeição das irmãs Franciscanas. Não convivi tanto quanto gostaria mas o suficiente  para que fiquem comigo, sempre.

    Estive duas semanas com os jovens, naquela natureza magnífica, de Inharrime, onde os acompanhei aos oratórios nas escolinhas mais escondidas da Vila. Brincámos, conversámos, cantámos... São crianças, adolescentes com princípios bastante bem orientados.

    Muitas vezes sonhava que estava no meio/envolvida por aqueles que “não têm nada”, sempre quis que essas pessoas partilhassem comigo a sensação de “não ter nada”, só tive de materializar essa vontade. Também porque me encontrava num período de vida que me “pedia” que tomasse uma atitude altruísta. Foi esta a atitude!!

    Vim para Moçambique por intermédio do Padre Amadeu, do Colégio dos Órfãos do Porto.

    Jesus recompensou-me através das pessoas que conheci, que me acolheram e que me ensinaram imenso. Isso é impagável.

    Orgulho-me deste enorme fragmento do meu passado, orgulho-me ainda mais de ter a capacidade de reconhecer que a vida sem relações humanas, trocas de aprendizagens, sentimentos, sorrisos, lágrimas, ideias, cumplicidades… não tem sentido absolutamente nenhum.

    Sinto-me uma afortunada por saber que nunca mais voltarei a ser a mesma.

    Um obrigada repleto de carinho a todos os Salesianos que me acolheram e me aceitaram como a Raquel.

    “Estamos juntos…”

  • Sandra Rodrigues - 2008

    by Vanessa Santos | Jan 28, 2015

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    Ecos de Moçambique
    A escolha deste título não foi meramente casual. As linhas que agora escrevo são o reflexo desta imensidão que é o vasto Moçambique. Vasto em emoções, incomensurável em experiências novas, a cada dia, em cada conversa, a cada descoberta de um talento especial em cada pessoa.

    Um dos objectivos desta incursão voluntária por terras moçambicanas era prestar apoio pedagógico e humano na Escola Profissional de Moamba, concretamente ao nível do internato (abrigo de cerca de 120 rapazes, na sua maioria órfãos), bem como contribuir para a realização de actividades de foro lúdico para o mês e festa de D. Bosco, dia 15 de Agosto. Por esta razão, descreverei mais pormenorizadamente as actividades de preparação e o dia da festa…

    Finalmente, chegou a semana de D. Bosco, de 10 a 15 de Agosto, dia da festa e dia da Assunção de Nossa Senhora.

    O desafio de realizar uma peça de teatro com os órfãos internos (“O Principezinho”, de Antoine de Saint-Éxupery) sem sala de teatro, sem palcos nem luzes, sem adereços ou cenários e com pouquíssimas coisas à disposição conduziu a um incomparável trabalho de equipa. É incrível como se consegue improvisar e obter um resultado espantoso quando se faz com amor! Arranjámos uns estrados (das salas de aula), cortinas, parede para projectar cenários e verdadeiras obras de arquitectura/engenharia, pois um dos “rapaces” (como a eles se refere o Pe. Fernando, Director Pedagógico, com pronúncia castelhana) é um artista e construiu um avião, em cartão, e um poço com nora, em tamanho real. Nem o balde faltou! Mas os actores foram o melhor de tudo…há gente talentosa por estas terras! Verdadeiros principezinhos e raposas…

    Tentei ainda ensinar um jovem a preparar um PowerPoint, mas a constante falta de energia eléctrica na vila e o consequente uso regrado do gerador da missão, obrigaram-me a não poder despender de tempo para ensinar… restou-me apenas tempo para concretizar! E lá fiz dois PowerPoints bonitos: um de homenagem ao vovô Oliveira (o sereníssimo, dinâmico e octogenário Sr. Francisco Oliveira, Irmão salesiano) que completava 60 anos de vida religiosa, tendo passado vinte dos quais em Moçambique; e um outro com os trabalhos fotográficos realizados pelos miúdos a quem ensinei noções de fotografia e que retratavam a sua escola, o seu mundo. Como eram tarefas que implicavam tempo e dedicação, pedi inspiração a N.ª S.ª para poder oferecer ao vovô Oliveira um retrato virtual de quão bela é a sua missão e a sua vida. Uma vez mais, a graça foi-me concedida e resultou num trabalho expressivo e poético. A Quinta-feira culminou com um ensaio geral, que correu muito bem, deixando-nos serenos e confiantes.

    Ao longo da semana, à noite, realizámos o concurso D. Bosco que correu bem e do qual todos saíram vencedores, pois conseguimos dar prémios simbólicos a todos os participantes.

    A festa, em si, não podia ter sido mais bonita! O meu dia começou com o “desafio de me vestir”… pus a capulana (saia africana) e enrolei uma outra na cabeça, tal como as mulheres moçambicanas. Todas as professoras tínhamos trajes iguais! Senti-me “filha da terra”…há uma crença por aqui que diz que quando se enrola uma capulana em torno da cabeça a nossa alma fica a pertencer a este lugar…J. Penso que, pelo menos no meu caso, é verdade!

    Durante a manhã, houve a eucaristia, com todas as particularidades de uma missa africana (com batuque, dança e canto), que foi presidida pelo padre espanhol Angel Miranda, extraordinariamente simpático e com uma boa disposição contagiante.

    Seguidamente, teve lugar a peça de teatro que foi um verdadeiro e surpreendente sucesso, onde até os habituais e, segundo dizem, desagradáveis ruídos de fundo desapareceram como que por magia! Não houve lugar para os frequentes “stresses pré-apresentação “, tão usuais nas nossas escolas lusas… Tudo correu muito bem, com muita alegria, música, dança e os já habituais e indispensáveis sorrisos!

    Dedicámos a peça ao vovô Oliveira, que estava felicíssimo, de coração a transbordar, tendo ficado muito emocionado com a apresentação do PowerPoint que se seguiu e que ele coroou com um sentido e emocionado discurso. Depois, exibimos o PowerPoint sobre a escola e aproximou-se a hora de almoço, pautada pela alegria e adocicada com um bolo de parabéns ao vovô! J

    A parte da tarde foi de carácter recreativo, com cada turma a apresentar um número. Foi muito animada e “diferente”, pois a expressividade destes jovens, no que se refere ao canto e à dança, é extraordinária!

    Foi um dia de imensa felicidade e gratidão a N.ª Senhora por ter permitido uma homenagem tão profunda ao nosso inspirador – D. Bosco – e ao seu discípulo, o Sr. Francisco Oliveira, que levarei sempre no meu coração como um amigo ímpar, pela sua imensa disponibilidade para os outros e pela amabilidade salesiana, espelhada no seu gesto e que deixa transparecer o coração do nosso amado D. Bosco. À noite, passámos ainda um filme sobre a vida de D. Bosco. Foi um dia em grande, onde a felicidade reinou nos nossos corações e se reflectia no rosto dos nossos “rapaces”.

    Quando chegou a hora de dormir não houve lugar a insónias… J. Estava feliz e cansada!

    É claro que comecei imediatamente a seguir a ser assaltada pela questão da despedida… estava quase a terminar a minha missão por terras africanas. Mas, enfim… uma certeza trouxe comigo: o meu coração ficará em África, à espera do meu regresso a uma terra onde não fui ter por acaso e onde encontrei uma paz e alegria que julgava impossíveis!

    Deixo um grande bem-haja a todos quantos me permitiram ir até lá viver aquela experiência que mudou a minha forma de estar, de ver o mundo e a própria vida!

    Quando me despedia dos colegas e salesianos daí, ofereceram-me um enorme coração que simbolizava a missão que me confiavam, de trazer a Palavra de Jesus e o coração de D. Bosco aos jovens moçambicanos. Nesse momento senti uma enorme responsabilidade. Agora, porém, sei que cumpri a minha missão o melhor que pude e sabia! Fi-lo com o coração, como nos ensinou o mestre e nos relembrou o reitor-mor, Pascoal Chavez, ao longo deste ano. E por essa razão sei que não foi em vão esta minha estadia! Sei que, tal com a raposa do “principezinho”, cativei estes jovens e fui verdadeiramente cativada por eles. Sei ainda que sempre que olhar para as estrelas, à noite, eles estarão lá dizendo-me: “adeus!” e por esse motivo jamais haverá distâncias entre os nossos corações. Combinámos que nos contemplaríamos mutuamente nas nossas orações e depositaríamos confiança em Deus e em N.ª Senhora, na condução dos nossos futuros, destinos e reencontros!

    OBRIGADA!

  • Inês Jorge e Luís Costa - 2007

    by Vanessa Santos | Jan 28, 2015

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    Há pouco mais de um ano partimos para Mumemo- Moçambique. Levámos nas malas muitos sonhos e sobretudo muitas expectativas… se conseguimos realizar tudo?

    Obviamente que não! Mas jamais ficámos tristes, aliás, vimos muito felizes com o que trouxemos e o que lá deixámos… nestes meses que por lá vivemos aprendemos sobretudo a viver com uma cultura diferente (e bem diferente!) da nossa. Em Moçambique o dia é longo… temos todo o tempo do mundo, pois como devem imaginar não existe o “stress” de apanhar trânsito, de estacionar, de voltar para casa e passar uma noite a ver mais um programa de televisão. Em Moçambique reaprendemos a viver com os outros, a ter tempo para os outros e sobretudo a sorrir… com os outros! Fizemos algum trabalho (ou não fosse essa a principal motivação à partida!) mas a melhor recordação que trazemos são as relações humanas autênticas que criámos. Em Moçambique, a simplicidade das pessoas é o seu maior tesouro. Um simples sorriso consegue fazer feliz qualquer pessoa. Obviamente que não têm aquelas coisas que são tão fundamentais para nós… os telemóveis, as ‘playstation’ e ainda a televisão por cabo que nos proporciona grandes momentos de prazer! Em Moçambique, a prioridade é estar com o nosso vizinho, com o nosso amigo. Podemos cantar, jogar futebol, ou simplesmente sentar na soleira da porta e partilhar momentos à conversa enquanto o Sol se deita.

    Como casal foi uma experiência magnífica. Apesar de nem sempre estarmos juntos, por termos funções distintas, eu (Luís) como educador de infância e eu (Inês) como médica, sabia muito bem regressar a casa e contar tudo aquilo que nos ia na alma. Existiram momentos de muita felicidade e outros de algum desânimo. O dia-a-dia em Mumemo nem sempre foi fácil. O ritmo africano não se compara ao europeu, mas aprendemos igualmente que nenhum está mal… simplesmente é diferente. Depois de imbuirmos a cultura e o ritmo do povo moçambicano, tudo se tornou mais fácil!

    O nosso trabalho passou pela reorganização do jardim-de-infância a todos os níveis: desde a gestão, passando pela introdução de uma pedagogia, até à alteração do espaço. Com a ajuda de muitos amigos conseguimos juntar dinheiro para circunscrever com um muro, o espaço destinado ao jardim-de-infância, reestruturar e melhorar o recreio, comprar material pedagógico e comprar novos colchões para as crianças dormirem a sesta.

    Mas fizemos mais: demos um curso de alfabetização de adultos e também de saúde primária; fizemos um censo pela aldeia para despistar possíveis casos de má nutrição em crianças e jovens…e acreditem que não foi nada fácil pois a aldeia tem cerca de 3000 pessoas e tudo é feito a pé naturalmente!

    Reestruturámos e acompanhámos as activistas (pessoas que dão apoio à comunidade) dos COV´s (crianças órfãs e vulneráveis) e dos doentes vivendo com o HIV/SIDA… e sobretudo convivemos e partilhámos experiências com as pessoas!

    Fomos muito bem recebidos pelas irmãs franciscanas que nos fizeram sentir que Mumemo também era a nossa aldeia (e jamais deixará de ser) e tivemos uma preciosa ajuda dos salesianos que, trabalhando só com a parte educacional, nos deram um precioso apoio para encontrar o melhor sítio para podermos fazer esta nossa missão. A todos o nosso muito obrigado!

  • Daniel Pinheiro - 2008

    by Vanessa Santos | Jan 28, 2015

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    Chamo-me Daniel Pinheiro e sou natural de Mogofores. Sou licenciado em Multimédia e estagiário em audiovisuais na Fundação Calouste Gulbenkian. Estive em Moçambique durante o mês de Agosto como voluntário; duas semanas em Moatize, 1 semana em Moamba e outra semana em Maputo na Visitadoria.

    A principal actividade que teve por base a minha ida a Moçambique foi a gravação áudio de musica coral étnica e religiosa de coros ligados à Missão de S. João Baptista de Moatize, entre os quais: Moatize, Mameme 2 e Zobwe (coro das Mamãs e coro de Santa Maria do Zobwe). A ideia das gravações foi-me proposta pelo Pe. Manuel  Leal no início do ano, a qual recebi com muita alegria e entusiasmo. Toda a logística e equipamentos técnicos foram preparados e testados em Portugal. Já no terreno, as gravações correram muito bem e serão posteriormente editadas e registadas em CD Áudio, esperando que sejam ouvidas por toda a Família Salesiana, leigos, cooperadores e outros. Foi uma grande experiência quer a nível técnico quer humano, no contacto com o povo e a cultura africana, no caso específico de Moçambique.

    Além desta actividade colaborei na preparação das cerimónias da Ordenação do Pe. Filipe Ajuda e os Votos Perpétuos do Manuel Catonda e contribuí em alguns trabalhos técnicos na Rádio Escola de Moatize. Já na Moamba foi o reencontro com um amigo de sempre, o Pe. Luís Belo, que foi pároco de Mogofores quando eu era adolescente. Conheci algumas comunidades da Missão, ajudei na digitalização do registo paroquial de Baptismos e fiz um Web Site da paróquia de S. João de Brito de Moamba. Na visitadoria fiz a minha primeira afinação de um piano a Sul do equador!!

    Foram quatro semanas intensas e com muitas actividades. Uma experiência de vida e de Fé marcante que nunca esquecerei e que sinto que ainda agora começou... Guardo no coração as amizades que fiz e tudo o que vivi mesmo num período curto! O projecto de Voluntariado Missionário era um sonho já antigo que finalmente consegui realizar, e logo num país que me habituei a gostar desde pequeno e de que ouvi falar muito! Moçambique! Apesar de nos últimos anos ter estado mais afastado da vida Salesiana foi para mim um regresso ao convívio de uma Família a quem devo grande parte da minha formação cristã e humana e muito do que sou!

    Sendo eu estudante de Coimbra e fiel à tradição académica digo que: “Moçambique tem mais encanto na hora da despedida!!”

    Um grande Kanimambo a Moçambique, à Família Salesiana e a Dom Bosco.

  • João Gonçalves - 2009

    by Vanessa Santos | Jan 28, 2015

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    De Junho a Setembro de 2009, Moçambique foi a minha terra, senti-me em casa.

    Voei pelos intermináveis céus de África, pisei aquele solo e respirei aquele ar quente sentindo maravilha e gratidão.

    O Moçambique que observei parece um país paradoxal! Por um lado observamos as maravilhas da Natureza que Deus cria, a abundância e diversidade de plantas, de frutos e a riqueza dos solos. Por outro, existe um trabalho educativo muito grande a fazer para aprendermos a cuidar da Criação e dos nossos irmãos. É urgente conciliar a justiça social e justiça ecológica.

    A aposta dos Salesianos é na educação integral, na realização espiritual e material da pessoa, respeitando e celebrando o dom da vida onde quer que ela esteja. Neste contexto inseri a minha actividade de interacção com a comunidade em Moçambique, focando as necessidades materiais.

    Foi com a vontade de partilhar conhecimentos sobre “permacultura” – modo de planear ambientes humanos permanentes/sustentáveis – e aprender mais a cuidar do ambiente e das pessoas que descolei da Beira Serra, onde ajudo a criar a "Beira Serra Sustentável - Rede Local de Permacultura" e a Associação Mondego Vale.

    Em Moçambique pude observar pessoas a viver de um modo mais sustentável, mais em harmonia com o seu ambiente natural, por exemplo produzindo a sua própria habitação, comida, lenha, carvão vegetal, capim, cestos e esteiras. Notei que a produção de carvão e lenha é hoje motivo de desflorestação sem controlo. Isso responde à procura insaciável de carvão, em especial na capital – Maputo, sempre a crescer. Se forem bem geridos a lenha e carvão não têm fim, mas será melhor fazer fogões que poupam lenha e carvão e também fogões solares! …

    Estive quase sempre em Namaacha, uma cidade de fronteira, colada à Suazilândia, a 80 kms de Maputo.

    Em Namaacha existem falta de água e de lenha. Nesta cidade desenvolvi actividade no Centro Juvenil Dom Bosco, onde dei algumas aulas de inglês e de guitarra, ensinei a construir "fogões poupa-lenha" reciclando materiais, e ainda fiz, com a ajuda de muitos amigos, dois fogões solares e um forno solar com artesanato local. Levei estes fogões até escolas de Namaacha, e também fui ensinar em escolas salesianas na Moamba e Maputo, onde fui muito bem recebido. Os fogões e fornos solares já têm uma história de 30 anos em algumas regiões do planeta e por isso as soluções mais económicas e eficientes já estão identificadas. Hoje, quando a desflorestação parece imparável e as dificuldades económicas ainda são muito graves em África, fazer cozinhas solares poderá equilibrar um pouco a situação. Podemos ver muitos modelos pelo link

    http://solarcooking.org/images/gallery.htm

    Logo ao lado de Moçambique, no Malawi está em curso um projecto governamental que tem por base a “permacultura” e visa criar segurança alimentar e nutricional em todas as escolas primárias. Este projecto é um milagre!! Vale a pena ver em http://www.neverendingfood.org

    Oxalá a maravilha que sentimos quando bebemos água fresca de uma nascente nas montanhas nos cative a levar o sabor dessa água a alguém que tem sede mas ainda não sabe onde a procurar.

    Sobre este voluntariado deixo-vos alguns pensamentos e fotos em http://mzsuztentavel.blogspot.com

     

    Sinto saudades e hei-de voltar a Moçambique se Deus quiser.

    Kanimambo Dom Bosco e Salesianos! Kanimambo Moçambique!

  • Sara Ferreira - 2009

    by Vanessa Santos | Jan 28, 2015

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    Foi no dia 9 de Fevereiro de 2009 que parti rumo a uma missão em Moçambique.

    Parti só, mas com Ele no coração com a certeza que iria para longe e com todos bem perto de mim, que nunca me sentiria só. Ao fazer uma viagem tão longa sentia que era como que uma maluquice minha mas também a realização de um sonho que sempre tive, partir em Missão para Moçambique, poder ajudar e aprender com a comunidade que me iria receber.

    Moçambique sempre foi para mim um destino ambicionado, não sei bem explicar porquê... sempre me senti ligada a este País e com vontade de o conhecer melhor.

    No dia 10 de Fevereiro ao início da tarde lá estavam à minha espera o padre Bambo, uma pessoa muito alegre que logo me fez sentir bem recebida e o Bélgio que com o seu sorriso me deu mais confiança no arrancar desta nova experiência. Parte da minha Missão passava pelo Instituto Superior Dom Bosco, no apoio ao curso de Agro-Pecuária. Foi bom ter uma experiência a nível profissional, pois mostrou-me muita coisa, a realidade do Ensino Superior em Moçambique, a necessidade da sua remodelação e o grande esforço que todas as entidades envolvidas estão a realizar, o grande investimento em formações à distância, na qual eu trabalhei de perto, e também a parte humana, o relacionamento entre colegas de trabalho o sentido de todos trabalharmos para um bem melhor da sociedade daquele País.

    A outra parte da Missão que tanto ou mais valor teve para mim foi o apoio na vida da Paróquia do Bom Pastor do Jardim, Comunidade Maria Auxiliadora e na Missão de São José de Lhanguene.

    Em todos os momentos me senti amada e respeitada por todos. É um bem maior sentirmo-nos assim!

    Fazer trabalho voluntário e receber em troca Amor, Estima, Carinho e Atenção de tantos que mal conhecemos mas que aos poucos se vão tornando parte da família ajuda a experimentar um bocadinho da vida que Jesus, dar sem esperar nada em troca, dar sem olhar para trás... Sorrir, Sofrer, Amar, Chorar, Conviver de entrega total aos irmãos!

    Muitas lições aprendi a viver com uma cultura, maneira de viver e estar completamente diferente do que estava habituada...

    Vale a pena estarmos longe de quem mais amamos, a nossa família amigos de sempre que para sempre ficarão... pois assim entregamo-nos melhor à missão, a todos os desafios que encontramos pela frente e conseguirmos ver melhor aquilo de que realmente somos capazes de fazer e ser.

    Nunca estamos sós, há sempre um amigo por perto... O nosso Amiguinho sabemos sempre que sim! Mas às vezes um abraço um colo para desabafar coisas do dia a dia, saudades, também é preciso, os voluntários e amizades que vamos construindo no Amor que Deus nos dá ajudam-nos a ultrapassar barreiras e matar saudades de casa...

    ... Só sei que Moçambique é um País que superou as minhas expectativas e que me deixa sempre vontade de regressar, pela terra, pelas gentes, as belas paisagens...

    A todos que tornaram possível esta bela experiência que sempre hei-de lembrar com muita saudade, um grande Khanimambo!

    Estamos Juntos!»